Claro, a gente vive tempos acelerados, não tem dúvida. Também não tem dúvida que existem áreas, ou pelo menos momentos, em que é preciso desacelerar, caso contrário um burnout te espera. Ali na frente, mais comum e de rotina do que se pensa.
Na era digital(que iniciou faz tempo, mas está sendo amplificada pelas redes, conexões mais rápidas, mais conexões entre pessoas, mais apps), as coisas tendem a se tornar rápidas. Para a área de negócios, isso pode ser bom e necessário, senão a gente é atropelado seja pela concorrência, pelas transformações, por se tornar um profissional obsoleto, por vários motivos que também não são novidade.
A também não tão novidade aqui é quando estamos falando de questões relacionadas a alguns assuntos, em especial este maismaismais alucinado, que é o coronavírus. Não vou falar da doença em si, que já é pra lá de conhecida. Mas sim do que aconteceu. Com as pessoas.
O terrorismo, como diz o nome, consegue implantar o terror em um país ou em vários fazendo uma ação muito violenta, mas se considerarmos causas de mortes e até mesmo o potencial ofensivo dos terroristas, ele é pequeno. Claro, o discurso gera a incerteza e a loucura vira geral. A loucura de pessoas e governos, que se mobilizam e geram discursos e mais discursos(mais do que seria necessário normalmente) sobre o que farão, em como estão preparados para lidar com os inimigos, até porque a população em geral pira com a coisa. O que quero dizer é que o tamanho real do dano possível terrorista de forma geral é pequeno comparado aos recursos e tensão mobilizados.
Agora, com esta pandemia/epidemia, acaba acontecendo o mesmo. Não acredito em teoria da conspiração e de que alguém intencionalmente plantou e deu um superempurrão para gerar essa histeria coletiva. Óbvio, é um vírus, tem que ser combatido, importante tomar as medidas (reais e reconhecidas) pra tanto não se contaminar como não ser contaminado. Claro, com o exagero do uso das máscaras… Na China, no início, tudo bem. Mas em tantos outros lugares do mundo, a ponto de esgotar as máscaras e as fábricas não estarem conseguindo produzir? Nem tanto.
Parece que houve um primeiro indivíduo que ouviu sobre o assunto e respondeu “O q?” e saiu por aí apavorado, apavorando os outros. E em tempos digitais e de redes sociais, já viu. Pode ter sido não um só indivíduo que entrou em pânico inicialmente, mas um grupo.
As multidões, seja ao vivo ou em redes ou consumindo (alguns) veículos de comunicação se movem de maneira irracional diante de uma ameaça, de um grito. Quem já foi a estádio de futebol ou a shows ou eventos assim, experimente gritar “Tiro!” no meio da massa e veja a porcaria que vai dar.
Eu falei no terrorismo ali em cima porque o que está acontecendo é um fenômeno semelhante, talvez até igual: o tamanho do medo está bem desproporcional ao tamanho do dano que pode vir a ser causado. Galera pirou geral. E ainda se soma a isso o fato de quanto mais avançamos na tecnologia e na própria gestão das coisas, mais medição temos das coisas. Então, pandemias/epidemias que não foram controladas com as ferramentas que a gente dispõe hoje, podem aparentemente ter sido menos graves, quando é exatamente o contrário. Isso, claro, sem nem entrar na questão das fake News e deep fakes, porque aí a coisa vai(como tem ido) mais longe ainda.
Tá bem na hora do pessoal ter um pouquinho, pouco que seja, de senso crítico e fazer o seguinte movimento, quando alguém contar algo sobre o Covid-19 que pareça gravíssimo, além da conta e fora dos perfis essencialmente de risco: “O q? Bem capaz!”
É sério o assunto do vírus? Óbvio que é! A gente deve subestimar? Claro que não! Mas assim, vamos fazer uma pausa e dar uma pensadinha? Aí, vão ver que só precisa fazer o que as autoridades reconhecidas no assunto indicarem para prevenção, sem necessidade de cancelar tudo por aí, fugir de qualquer situação, dormir pensando nisso, acordar pensando nisso, achar que é o fim dos tempos. Não é.

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