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O que quer Vladimir Putin?

A Rússia pretende recuperar seu antigo poder e prestígio através do controle de seus recursos energéticos. Hoje o abastecimento russo é vital para grande …

A Rússia pretende recuperar seu antigo poder e prestígio através do controle de seus recursos energéticos. Hoje o abastecimento russo é vital para grande parte da Europa.

Manter a previsão – A Rússia possui jazidas ainda não perfeitamente dimensionadas de petróleo e gás. Este último, em quantidades não calculadas, no norte do país. Hoje possui 16% das reservas conhecidas Existem duas versões sobre a origem da atual política de Putin, embora não se contradigam. Para o Financial Times, um obscuro aluno escreveu um artigo também para um obscuro jornal, onde afirmava: “O potencial de recursos naturais da Rússia define seu lugar entre os países industrializados”.

Em acordo com The Economist, a trajetória é mais coerente. Como autoridade municipal em São Petersburgo escreveu uma dissertação intitulada “Minerais Brutos na Estratégia para o Desenvolvimento da Economia Russa”. Por tal estudo, a Rússia retomaria  a sua posição internacional “através de grandes corporações industriais-financeiras controladas pelo Estado” e capazes de concorrer com as multinacionais.

Como presidente da Rússia, o então “obscuro aluno” aumentou sua participação na Gazpron para 51%, um gigante que controla 20% do gás das reservas conhecidas. Vendeu 49%, numa capitalização no mercado, por US$ 300 bilhões, tornando-a uma das maiores empresas do mundo. Putin começava a chamar a si o controle de empresas estratégicas ao seu plano.

O PODER DA ENERGIA – Restaurou o controle acionário dos ativos de energia, vendidos de forma barata na década passada, entre elas a Rofsnet, principal divisão da Yukos, a companhia de petróleo, que também deverá ter ações em bolsa.  Começou a convidar personalidades eminentes, como Schroeder, ex-chanceler alemão, que concordou em chefiar um projeto controlado pela Gazpron para construção de um gasoduto de exportação de US$ 5 bilhões no mar Báltico até a Europa Ocidental. Putin continuará a procurar executivos de renome no Ocidente. “Uma Rússia aberta aos acionistas”, segundo a France Press.

Tudo isto deixa a Rússia com duas gigantes estatais de energia, substanciais investimentos estrangeiros, além de vários grupos privados com padrões internacionais..Uma rede de gasodutos e oleodutos permite abastecer tanto o Oriente como  o Ocidente. Por exemplo, a Gazpron tem uma participação de  35% na Wingas,  da Basf alemã. “Putin toma todas as decisões-chave sobre sua estratégia, demonstrando um conhecimento  surpreendente para um político de seu escalão”, diz Vladimir Milov, chefe do Instituto para Política de Energia, no centro de Moscou.

O CONTROLE – A pretexto de elevar os preços, na véspera do Ano Novo, Putin mandou cortar o gás para a Ucrânia, país por onde passa o gasoduto que abastece a Europa Oriental. “Foi para fins políticos”, acusa Igor Yuchenko, vice-presidência da Ucrânia. Na verdade, Putin, em casos isolados, tem utilizado seu poder para baratear ou elevar os preços do gás conforme a lealdade do país da antiga URSS. O impasse foi resolvido através de uma terceira empresa, onde a Rússia tem participação, a RostUkrEnergo. Segundo o acordo, a Rússia vende o gás para a RostUkrEnergo por US$ 230 por mil metros cúbicos, mas esta repassa para a Ucrânia por apenas US$ 95. A explicação é que a RostUkrEnergo compra gás barato na Ásia Central e o mistura com o produto russo.

Como previa o obscuro aluno – utilizar a energia para igualar-se aos países industrializados – Putin decidiu vender urânio à Índia apesar das objeções americanas. Os EUA manifestaram sua posição de que a Índia separe suas instalações nucleares e civis, colocando-as sob supervisão internacional. Putin simplesmente ignorou as exigências americanas. Finalmente, outra vitória de Putin: o Banco Mundial está disposto a garantir o investimento russo no exterior. “O livre mercado russo já se fortaleceu e está pronto a aplicar seu capital em outros países”, disse a japonesa Yukiko Omura vice-presidente executiva do Banco Mundial.

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Iara rech

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