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O Senhor da Guerra….

“O presidente dos Estados Unidos

Protege o mundo livre do mundo preso

E prende todo mundo que for preciso

Pra não deixar o presidente indefeso”

Nei Lisboa

Em pleno século XXI, quando a humanidade já decifrou o genoma, conectou continentes em segundos e desenvolveu tecnologias capazes de transformar radicalmente a vida no planeta, seguimos convivendo com um fantasma antigo: a guerra como instrumento de poder. O que se vê hoje no Oriente Médio é mais do que um conflito regional. É o retrato de como decisões tomadas por poucos podem colocar em risco o destino de todos.

A escalada de tensão envolvendo Irã e Estados Unidos reacende um temor que parecia restrito aos livros de História: o de uma confrontação direta entre potências militares com capacidade nuclear. Quando dois países com tamanho poder bélico entram em rota de colisão, não se trata apenas de estratégia geopolítica. Trata-se da possibilidade concreta de um efeito dominó capaz de arrastar aliados, desestabilizar economias, provocar crises humanitárias e, no limite, abrir caminho para um cenário atômico.

É perturbador constatar que, mesmo depois de duas guerras mundiais e de décadas de tensão na Guerra Fria, ainda estejamos à mercê de líderes que flertam com a lógica da força como demonstração de autoridade. Em um mundo interdependente, onde cadeias de produção atravessam oceanos e decisões financeiras em uma capital reverberam em todas as outras, qualquer conflito de grandes proporções deixa de ser local. Ele impacta o preço dos alimentos, a energia, os fluxos migratórios e a estabilidade política global.

Mas o risco não se limita aos seres humanos. Uma guerra de grande escala, sobretudo se envolver armamento nuclear, ameaça ecossistemas inteiros. A contaminação do solo, da água e do ar não reconhece fronteiras. Espécies desaparecem, biomas são comprometidos, gerações futuras herdarão um planeta mais hostil. Quando se fala em guerra moderna, fala-se também na possibilidade de um dano ambiental irreversível.

É impossível não perceber os ecos da antiga bipolaridade que marcou o século XX. A sensação de que o mundo voltou a viver sob a sombra de uma nova Guerra Fria é real. A diferença é que hoje a capacidade destrutiva é maior, a velocidade das decisões é instantânea e a desinformação circula em escala global. Nunca estivemos tão conectados e, paradoxalmente, nunca estivemos tão expostos às consequências da imprudência de quem ocupa o poder.

Diante disso, não basta apenas lamentar. É preciso refletir sobre o que está em jogo. A política externa, as alianças internacionais e o perfil dos líderes que elegemos não são temas abstratos. Eles influenciam diretamente o posicionamento de um país diante de conflitos globais. No Brasil, há uma eleição logo à frente. E ela não definirá apenas políticas internas, mas também o tipo de voz que o país terá no cenário internacional.

Quando se mencionam nomes como Donald Trump, o debate ultrapassa simpatias pessoais ou divergências ideológicas pontuais. Trata-se de discutir modelos de liderança, postura diplomática e compromisso com a estabilidade global. A discussão ideológica não serve apenas para decidir o tamanho do Estado, o grau de intervenção econômica ou o apoio a determinadas pautas sociais. Ela também nos posiciona diante da História. Escolher um lado é, em última instância, escolher quais valores queremos que orientem as decisões que podem afetar o planeta inteiro.

Muitas pessoas podem olhar para esse cenário e pensar que talvez não estejam aqui nas próximas décadas. Que o futuro distante não lhes diz respeito. Mas o mundo não termina em nós. Existem filhos, netos, sobrinhos. Existem milhões de vidas que dependem das decisões tomadas hoje. Existe um planeta cuja saúde depende de escolhas individuais e coletivas.

A sensação de perigo iminente pode parecer exagero para alguns. Mas a História ensina que grandes tragédias muitas vezes foram precedidas por sinais ignorados. O momento exige maturidade, responsabilidade e consciência. Ou a sociedade debate, participa e escolhe com clareza quem deseja que conduza seu futuro, ou corre o risco de ver esse futuro ser definido por impulsos, egos e disputas de poder.

Décadas depois, a frase “o Senhor da Guerra não gosta das crianças” continua cada vez mais atual.

Autor

Fernando Puhlmann

Sócio-cofundador da Cuentos y Circo, Puhlmann é um dos principais especialistas em YouTube do país, com um olhar focado em possibilidades de faturamento na plataforma e uma larga experiência em relacionamento com grandes marcas do mercado de entretenimento. Além de diretor de Novos Negócios da CyC, tem também no seu currículo vários canais no país, entre eles o do escritor Augusto Cury, do Gov Eduardo Leite, Natália Beauty e do Grêmio FBPA, sempre atuando como responsável pela estratégia de crescimento orgânico dos canais. Já realizou palestras sobre a nova Comunicação juntamente com diretores do YouTube Brasil como a abertura do 28º SET Universitário da Famecos-PUCRS, o YouPIX/SP e o Workshop YouTube Gaming Porto Alegre. Desde 2013, Puhlmann ministra cursos, seminários e oficinas sobre YouTube, tendo mentorado mais de 30 canais nos últimos anos.
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