A coluna desta semana estava praticamente pronta quando, ao folhear ZH, dei de cara com um espaço de divulgação no mínimo polêmico que ainda existe em alguns grandes jornais. Vou me fixar na mídia impressa, pois esse tema ainda se faz presente em algumas emissoras de rádio: o obituário. Afinal, vale destinar um espaço permanente para esse tipo de informação? E qual o critério para divulgar um outro óbito.
Se considerarmos que os jornais estão diminuindo o número de páginas e tornando-se mais seletivos na escolha do que vai ser publicado, porque privilegiar o obituário. Isso valia no século passado quando as comunicações eram precárias e os jornais cumpriam até um papel de “informante de óbitos”. Mas já evoluímos o suficiente para dar um aproveitamento mais adequado a este espaço.
Se o falecido é um personagem importante, seja qual for a sua área, o correto não seria divulgar esse óbito no espaço condizente. Por exemplo, um político, em área onde se divulgam as notícias de política ou eventualmente na área de algum colunista. Se for um artista, da mesma forma, na área cultural; alguém ligado à economia e negócios, da mesma forma, no setor correspondente.
Caso queiram manter o espaço do obituário, tudo bem, mas que o façam de forma mais equânime. Por exemplo, em ZH desta quarta-feira, 4, um generoso espaço é destinado a relatar a vida de quatro personagens, sendo dois estrangeiros, uma atriz e um cientista, diga-se de passagem, praticamente desconhecidos da maioria dos leitores. E dois gaúchos com relativa representatividade.
Alguém como eu pode estar se perguntando: mas não é muito espaço para cada caso? Não haveria uma forma de resumir os dados, simplificar, padronizar as informações? Afinal, há tantas outras notícias importantes que ficam fora do jornal, geralmente por falta de espaço e em outras, por “gosto” do editor. Como jornalista, exerci várias funções e uma delas foi de divulgar notícias, eventos. E sempre percorri as redações de rádio, TVs e jornais em busca de, ao menos umas três, quatro linhas para informar um fato, uma festa. Infelizmente, muitas vezes esbarrava na resposta-chavão: “bah! Não temos espaço”.
Bem, minha sugestão é que se mantenha o obituário, mas de forma mais racional: pelo que acompanho, sempre é possível “fechar” antes, isto é, sabe-se que existem ‘X’ solicitações. E também não há compromisso com atualidade, ou seja, já li obituários no qual o falecimento ocorreu uma semana atrás. Assim, com padrão e regularidade, certamente sobrará algum espaço para que outras notícias da comunidade sejam veiculadas e com bom aproveitamento.

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