“O Brasil será a grande história de 2010”, disse o Financial Times na última semana. Pelo inusitado do título, a matéria repercutiu em toda a mídia. “O Brasil é a potência do século 21 a se observar”, escreveu o FT. ”O país estava sentado em uma vasta camada de petróleo. Havia testemunhado a maior abertura de mercado deste ano, e foi escolhido para a sede das Olimpíadas de 2016, além de ter sido eleito por 24 meses para o Conselho de Segurança da ONU”.
Mais: havia testemunhado a maior abertura da capital pelo braço brasileiro do Santander. O outro lado da moeda seria a violência, que se manifestou numa guerrilha urbana. Sem tomar partido nas visões, o que o FT diz na verdade é: prestem muita atenção no Brasil. “Diferentemente da China, o Brasil não tem conflitos étnicos e é uma democracia partidária. E pode dar um I0F de 2% sobre o capital de risco estrangeiro”.
A recessão acabou?
“São os mercados emergentes que estão nos guiando, seguidos pelos Estados Unidos e pela Europa mais atrás”, afirmou Chris Walliamson, economista da Markilli, empresa especializada em pesquisar a atividade manufatureira em diversos países. As pesquisas, realizadas nos Estados Unidos pelo Instituto de Gerenciamento da Demanda e em outros países pela Markit, não medem o nível de produção industrial e sim como a forma que está mudando.
Os profissionais responsáveis pelas pesquisas perguntam às companhias se os negócios estão piores ou melhores em relação ao mês anterior. As questões mais importantes referem-se ao nível de encomendas. Os números de setembro relativos à produção industrial indicam que uma recuperação tornou-se mais lenta.
Mas pesquisas similares feitas nas companhias de serviços parecem mostrar que o crescimento está se acelerando na maioria dos países. As novas encomendas estão em alta, sem relação a retardatários europeus, como Espanha e Irlanda, que também foram duramente atingidas pelo mercado de hipotecas.
Mas o desemprego continua elevado nos países não asiáticos. Williamson diz calcular que as perdas totais de empregos nos principais países desenvolvidos – EUA, Reino Unido, as nações da zona do euro e o Japão – chegaram a 1,9 milhão em março, e que agora chegaram a 500 mil por mês. Já aqui, no Brasil há muitas notícias alvissareiras: muitas empresas, como a nossa Embraer, pretendem voltar a contratar.

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial