Essa é uma pergunta que já teve mais impacto. Não que não seja mais importante, nada disso. Fazer parte ou prestar serviços para uma grande organização segue sendo ainda hoje um teórico fator de distinção, de que o seu trabalho se difere dos demais e, portanto, é muito bom.
Claro que falo teórico porque nem sempre isso é verdade. Além do mérito em si, existem outras possibilidades de ser um colaborador ou prestador de serviços de uma empresa, desde amizade, network, parentesco etc.
Mas o que quero falar aqui é sobre como com o fortalecimento de uma economia digital, sustentável, descentralizada, pode ser mais relevante estar numa organização menor, desde que o que faça tenha mais sentido e agregue mais para a comunidade.
Dinheiro deixou de ser importante? Nada disso, porque afinal de contas ainda é ele que paga as contas e possibilita uma boa parte das coisas. Mas parece que lentamente (sim, do meu ponto de vista é um processo lento, não rápido como muitos sugerem) a sociedade e os indivíduos tentam encontrar muito mais um sentido no que fazem do que somente uma fonte de renda. Sim, claro que me refiro àqueles que têm de onde tirar, que estão com os boletos pagos e podem se alimentar e morar com dignidade mínima. Caso contrário, essas são inevitavelmente as prioridades.
Mas deixando o pensamento voar um pouco, podemos ir mais longe. Toda a questão de sustentabilidade (por exemplo) começou há mais tempo, bem mais. Mas antes havia dois fatores que contribuíam para que fosse uma área que atraía poucos holofotes: o fato de aqueles que se preocupavam com isso eram taxados meio de lunáticos(e eram bem poucos) e o outro fator, a emergência não estava tão próxima. Hoje, tanto pelo agravamento da questão ambiental como pela muito maior difusão do que ocorre (temos meios digitais eficientes e esperando por isso) ao redor do mundo, temos essa questão na pauta.
Mas voltando ao início da coluna, de onde. Justamente, com a economia digital, surgimento de startups e produtos escaláveis, novos assuntos na pauta de interesse das pessoas, onde você trabalha perdeu um pouco de espaço. Pode ser, sem que eu seja entendido como romântico, por um o que (ou pra que) você faz. A ideia, o sentido. Então, tanto é possível ter sucesso (palavra muito ampla, é verdade, pois pode ser na área que for e como você definir sucesso) em organizações muito menores do que antes, quando só se tinha êxito mesmo quando estava numa grande corporação. As coisas e as pessoas mudaram, senão totalmente, um tanto.
Além disso, há um outro sentido para o onde. Literalmente onde. Hoje, é possível trabalhar de quase qualquer lugar, aqueles que dependem de uma boa conexão de internet: pode ser no interior, na praia, em um aeroporto, em um café, em casa(claro), enfim, uma variedade enorme de possibilidades também tornaram isso uma realidade. Uma maior descentralização desse fator também mudou as coisas.
Sim, existem os que dependem exclusivamente do trabalho presencial, mas ainda assim podem usar recursos digitais. Um exemplo simples? Uber. Ele depende(o motorista, no caso) totalmente do trabalho presencial (quem sabe os carros autônomos não vão mudar esse cenário? Mas isso é coisa para daqui a mais tempo), mas usando tecnologia como o próprio smartphone, internet, waze, apps, etc.
É possível substituir o contato presencial exclusivamente pelo virtual? Certo que não, mas ele pode ser reservado para certas situações ou ocasiões em que seja realmente necessário. Então, se perguntássemos há 10 anos onde você trabalha e fizermos a pergunta hoje, as respostas e a importância dela diminuiu bastante. As coisas mudam, definitivamente.


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