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ONGs em desgraça

Com a crise instaurada nos ministérios, em especial os do Esporte e do Turismo, as ONGs caíram em desgraça. Todas viraram suspeitas, até que …

Com a crise instaurada nos ministérios, em especial os do Esporte e do Turismo, as ONGs caíram em desgraça. Todas viraram suspeitas, até que se prove o contrário. O Ministério dos Esportes determinou a suspensão de repasses a todas as ONGs que tenham convênio com o mesmo pelo prazo de 30 dias. E ainda avisou que não fará novos convênios com estas entidades. Porta arrombada, tranca de ferro.

É sabido que muitas ONGs de fato serviram para a realização de negócios escusos. Eram entidades tocadas por laranjas para facilitar o recebimento de recursos dos cofres públicos. Porém, há um sem número de ONGs que atua de forma séria, dedicada e para as quais estes reais farão uma falta gigantesca. São organizações estruturadas por pessoas idealistas, com projetos que atendem crianças e/ou comunidades carentes, cujo fator de inclusão social(e, portanto, distanciamento de drogas e crime) é o esporte. A possibilidade de significado para as suas vidas, bem como a de ascensão social se dá através do esporte. Minguando estes recursos, com certeza faltarão alimentação, instrutores e a própria continuidade destas entidades está em xeque.

Além de se constituir em injustiça, este episódio(do cancelamento de repasses e novos convênios a ONGs) revela uma enorme e conhecida fragilidade do sistema: fiscalização. Em função de sua ineficiência, a alternativa encontrada pelo Ministério é a da suspensão total de repasses. Como há irregularidades, todos são punidos. Esta lógica pode ser utilizada dentro de uma sala de aula da quarta série do ensino fundamental. Não em um país, em especial dotado de tantas carências e de dimensões continentais. Atingindo a todos, indiscriminadamente, estão sendo punidos inocentes e dependentes destes programas.

Do meu ponto de vista, comete o Ministério dos Esportes o mesmo erro que o arcebispo de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings. Ao receber uma condenação judicial, ele reagiu de forma vigorosa, classificando o judiciário como corrupto. Ouvi um jornalista comentar que esta reação do arcebispo é igual a dizermos que todos os padres são pedófilos. Claro que não são. O risco da generalização embota raciocínios e serve sempre de espaço para regimes totalitários. Não devemos entrar na exceção da exceção, mas muito menos na generalização que massifica a incompreensão e a intolerância.

Pelo bem do esporte brasileiro, em suas iniciativas menores e maiores, pelo bem da justiça social, espero sinceramente que o Ministério dos Esportes encontre outra alternativa para detectar e punir responsáveis por fraudes. Sejam elas em ONGs ou fora delas.

Autor

Flavio Paiva

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