Podem tragar-nos os abismos/ vamos chegar às Ilhas Felizes/somos da têmpera dos heróis/fortes na ânsia de chegar/busca,. achar, sem nunca desistir. (
Devo a idéia de uma epígrafe ao Paulo Tiaraju (excelentes crônicas aqui em Coletiva.net) para nos dar uma panorâmica, ou paradoxo, sobre o que vamos tratar. Mas sendo uma “estagiária da objetividade”,como diria Nelson Rodrigues, volto ao meu chão, mas desta vez tratando de um herói da propaganda.
Martin Sorrel é fundador e presidente mundial da WPP, holding controladora de agências como JWT, Young & Rubicam e Ogilvy & Mather. Esteve no Brasil na última semana, dentro do giro que faz de dois em dois anos pelo mundo para verificar como andam os negócios e a estrutura das agências que controla.
“Em 2010 voltaremos a crescer uns dez por cento”, disse em entrevista publicada na Folha de S. Paulo e realizada durante sua estadia no país, nos últimos dias de outubro. “O final de 88 será difícil, em 99 ainda vamos observar grandes lutas, mas teremos surpresas positivas.” Analisando a história, ele observa que as marcas que recuam diante de crises têm dificuldades para o retorno. Espera que clientes como Procter & Gamble, Nestlé e Unilever pensem da mesma forma. Para estas previsões não lhe faltam credenciais.
É graduado em Economia pela Universidade de Cambridge, com MBA na Harward Gratuate School of Business Administration. Atuou como diretor financeiro da Saatchi & Saatchi, de
Portanto, a WPP estava se preparando para os maus tempos. Disse Sorrel: “Geralmente o mundo real, do cidadão comum, sente os resultados da crise econômica com seis meses de atraso, o que está por acontecer”.
Para ele, o medo é muito maior do que os verdadeiros consumidores estão sentindo. E seu grupo não está vacilando. Sorrel mostra orgulho e otimismo pela aquisição do grupo de pesquisa britânico TNS por US$ 2 bilhões, anunciada na última semana. “Calculamos que apenas 40% de nossa receita virá da publicidade tradicional. O restante será dos serviços de nossa nova empresa, como pesquisas de mercado e consultoria, e das novas mídias digitais, notadamente o móbile marketing”, anunciou para o The Wall Street Journal.
Informou sobre a compra de uma empresa focada em marketing de varejo, sediada na África e Oriente Médio. A WPP tem 37% de sua receita atual vinda do mercado americano, 37% da Europa Ocidental e 26% do Bric, países emergentes. E ainda tem um sério propósito: “Vamos fortalecer nossa atuação na América Latina, notadamente no Brasil e Argentina”, antecipa. Na entrevista ao The Wall Street Journal, defendeu a idéia de que as estratégias de “tamanho único” não são mais as únicas respostas, devendo-se estimular os executivos a concentrarem-se na região onde atuam.
Por isto, foram implantadas diretorias locais na Itália, Holanda e China, com os clientes principais fazendo o mesmo. “As diferenças entre os produtos e serviços em oferta estão cada vez menos importantes”, disse. “Os consumidores estão mais interessados em suas diferenças do que em suas semelhanças.” (Com The Wall Street Journal, Folha de S. Paulo e [email protected])

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