Os redatores de uma campanha de imagem da Índia estão agonizando para resumir seu produto renovado. Primeiro eles tentaram “15 anos, seis governos, quatro primeiros-ministros numa direção, 8% do crescimento do PIB”, que fornecia bastante informação sobre o progresso econômico mas dificilmente poderia ser dito com facilidade. E seus produtos manufaturados crescem como no Ocidente.
Então propuserem o conceito “Índia, a democracia de livre mercado que mais cresce”, que não era o ideal, mas ao menos rompia com as noções de um país de elefantes, espiritualidade e misticismo exótico. Preocupada de sua imagem global estar 50 anos desatualizada, a Índia embarcou em uma mudança radical de sua imagem projetando uma nova face, uma face construída de idéias, de fatos econômicos, democracia, glamour de Hollyvood e excelência cultural..
A MUDANÇA
A batalha para vender a Índia está sendo travada em um escritório que foge um pouco da pesada poluição urbana que mal marca a fronteira com Nova Déli.
Ajay é o principal executivo. Seu trabalho traz, ele disse, as boas novas sobre a Índia. Afirmou ainda acreditar que tal anúncio agressivo das virtudes da Índia Moderna terá bons resultados, capazes de atrair investimentos.
Na verdade, uma equipe de lobistas, contratados para levar a nova imagem da Índia, certamente está conseguindo resultados. Foi este o foco este ano na Feira de Frankfurt, na Feira de Comércio de Hannover, na Bienal de Bonn e em em LiLy.
DIPLOMACIA BRANDA
Pavan Varma, o diretor do Conselho para Relações Culturais da Índia, que organizou os festivais, disse que o país precisa mudar as percepções e explorar o conceito de “democracia branda” para obter maior influência internacional. “A Índia era vista como exótica”, disse Varma, “e o mundo ainda não sabe muito a seu respeito além dos estereótipos, a idéia do Oriente Místico, de sue tradição espiritual. Mas as pessoas estão fazendo nova tentativa a respeito de um país que agora está no radar como uma grande potência econômica e estratégica. Os estrangeiros estão tentando ver como a Índia se move e o que move seu povo. Nós estamos projetando nossa herança cultural para um povo bem mais interessado”.
FUNCIONARÁ?
Será que o exercício de imagem funcionará? Seus criadores sabem que, para isto se tornar mais do que maqia e publicidade passageira, o país precisa manter um crescimento anual de 8% – e que, mais do que mostra cultural, crescimento é o que atrai o interesse. E precisa também reagir rapidamente em relação a uma infinidade de problemas que minam qualquer quadro da Índia como superpotência: a infra-estrutura em ruínas, deficientes sistemas de saúde e educação, e a pobreza disseminada. “Não há substituto senão o crescimento”, defende Fittz Kante, do Ministério de Trabalho e Desenvolvimento, ironizando sutilmente a nova Índia.

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