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Os idiotas e o dedo médio

Infelizmente, eles estão por toda a parte. Eles se encontram entre nós e são piores do que o vírus da gripe, pois se propagam …

Infelizmente, eles estão por toda a parte. Eles se encontram entre nós e são piores do que o vírus da gripe, pois se propagam e são muito, muito resistentes.

Domingo agora eu estava numa padaria, tomando um cafezinho. Esta padaria tem um estacionamento junto à calçada, umas seis vagas. Pois estava uma senhora aguardando por uma vaga, outra pessoa estava prestes a sair. Porém, quando esta pessoa saiu, um “espertinho” enfiou seu carro e roubou a vaga. Ela então, de dentro do carro, fez aquele gesto característico de “Pô, qual é?”. E então, o indivíduo que estava dentro do carro saiu, aguardando que saísse a sua esposa e – pasmem – dois filhos pequenos e fez aquele característico sinal com o dedo médio, mandando-a para bem longe e de forma desaforada.

Há vários problemas muito, muito sérios nesta sequência que narrei:

1) A completa falta de educação de um idiota que se acha “esperto”. Falta de respeito pelo outro e, principalmente, falta de respeito de um homem por uma mulher, o que agrava ainda mais a situação;

2) O exemplo que ele estava dando para a sua família (embora possivelmente ele trate a mulher dele assim ou de forma pior ainda), principalmente para as crianças pequenas. O que elas farão no futuro, em situação idêntica? Adivinhe; e

3) A certeza da impunidade, do “não dá nada”,  tão característico no nosso país nos dias de hoje.

Somei tudo isto ao fato do recente escândalo denunciado pelo repórter Giovani Grizotti, da farra de vereadores que vão para destinos turísticos (Foz do Iguaçu, entre eles) com suas famílias e amigos teoricamente para fazerem cursos (que, na prática, não existem, são armações). Na realidade, eles estão a passeio, com tudo (tudo mesmo, pois eles ainda recebem uma espécie de pagamento destas empresas de cursos) pago por nós, os otários.

Então, pensei o seguinte: para onde estamos rumando? Com certeza, é para um cenário de abandono do país. Eu mesmo estou pensando em morar no exterior, fazer com que meu filho se mude. Não tenho estes “valores” e tampouco quero criar meu filho desta forma. Além disto, o espaço para quem trabalha de forma séria, se comporta de forma digna, coisas que deveriam ser normais, está se reduzindo no Brasil.

Porém, se pessoas como eu começarem a abandonar o Brasil, restará quem por aqui? Os aproveitadores, os espertinhos. E a lógica deles nós conhecemos, seja na política, na economia, na vida cotidiana. É a lógica do eu-que-me-dê-bem-e-danem-se-os-outros. Se formos nesta batida, além da construção de uma sociedade altamente individualista (como a que existe atualmente, mas ainda pior), teremos uma vida em que vale dedo no olho, rasteira, sacanagem. Quase uma vida no tempo das cavernas. Assim é que os “espertinhos” de hoje não estão se dando conta que estão construindo uma sociedade terrível para seus filhos e netos. Inabitável. Agindo desta forma, cresce a violência, cresce o desrespeito, a falta de humanidade, cresce geometricamente tudo isto. A vida fica impossível. Então, estão alimentando um monstro. E depois vão chorar quando seus filhos levarem uma bala na têmpora por um traficante. Acharão que são vítimas,quando na verdade são os próprios construtores da arma que atirará na cabeça dos seus filhos. Se acham muito espertos, mas são verdadeiros idiotas.

Autor

Flavio Paiva

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