Tenho telefonado muito, ultimamente, para jornalistas deste Brasil afora. Quem fez ou faz a chamada “divulgação” sabe bem que pessoas saem de férias ou trocam de emprego e que nada pode ser mais efêmero do que uma lista de destinatários. Então, o negócio é ficar como Sísifo, rolando a pedra morro acima e buscando-a de volta, no sopé, pra começar tudo de novo.
Divulgar é, em suma, o trabalho primordial de quem trabalha com informação, com notícia. E eu sou do tempo em que o jornalista é que ficava telefonando para os realizadores de qualquer tipo de ação em busca de novidades e detalhes, já que a figura do divulgador chegou em meados dos anos 70 do século passado. E, salvo a memória esteja pior do que eu julgo, a pioneira nesta tarefa foi Dedé Ribeiro, que apareceu na redação da Folha da Manhã, com aquele seu jeitão hippie, com a notinha de alguma peça de teatro ou show, não lembro mesmo.
Além dela, havia um locutor de rádio, velhinho, de ralos cabelos pintados de negro, que nos levava, em papeizinhos, propagandas de seus cursos de locução. E, como mau cartão de visita de sua especialidade, seo Tulio, uma simpatia, não dizia advogado e sim “adevogado”. Havia, também, David Camargo, uma figura estranha, que tinha já imensa folha corrida de trabalhos em cinema e palcos, mas parecia um mendigo. Sujeito inteligente, com uma risada macabra, que tinha sido acolhido como morador da Casa do Estudante, mesmo sem sê-lo, tal seu carisma. O problema era manusear os retalhos de caderno com pauta em que ele datilografava seus “releases”.
Houve outros, um deles que apaguei não só o nome, mas também o rosto, que chegava à redação com uma bolsa de pano cheia de papéis e que terminou a vida de modo trágico, assassinado, em seu apartamento, por uma companhia casual. Com Dedé, veio um profissionalismo até então desconhecido na cidade.
Hoje, temos empresas que cuidam dessa tarefa nem sempre fácil, com competição imensa e cada vez menor espaço nas mídias impressas. E os avulsos que encaram a tarefa que é, resumindo, uma mistura de jornalismo, rp e propaganda, e, claro, muito marketing, para poder fazer de um fato “normal” algo que mereça o olhar mais interessado de um editor, de um crítico, de um colunista, que, por sua vez, estão, em geral, atolados em trabalho, com a corda no pescoço para cumprir prazos. Não é de se estranhar que, muitas vezes, a recepção, por telefone em especial, já que raramente é pessoal (quase ninguém passa da portaria), é apressada, quando não áspera.
Por isso me surpreendem atitudes como de Rinaldo Gama, editor do Caderno Sabático, do Jornal O Estado de São Paulo, que responde aos mails quase na hora em que eles chegam. E ainda é capaz de gestos de gentileza, como justificar que um livro tenha demorado para chegar às suas mãos porque “o jornal recebe muita coisa e o pessoal da expedição fica atordoado”. Encontrar um Rinaldo Gama ao trabalhar em divulgação é uma bênção e torna a sexta-feira uma promessa de bom final de semana.
