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Paciência com o português

A rivalidade, por incrível que pareça, passou a fazer mal para a dupla Gre-Nal. Nos últimos anos, os dois lados se focam mais em brigar entre si do que em alcançar conquistas maiores. As vítimas são os torcedores e os profissionais. O técnico do Grêmio, Luís Castro, vive na pele essa triste realidade no início de 2026. É pressionado injustamente em função da derrota em um clássico que nada valeu. 

Seria da mesma forma com o uruguaio Paulo Pezzolano, técnico do Inter. Se tivesse perdido o Gre-Nal do dia 25 de janeiro também passaria por problemas com a torcida e boa parte da imprensa. A vitória colorada por 4 a 2, de virada, direcionou os bombardeios de críticas para o comandante tricolor.  

A partida da fase de classificação do Gauchão pouco influenciou na condição dos clubes. Talvez o Grêmio tivesse vantagem de mando de campo contra o Juventude nas semifinais, o que levando em conta o histórico não significa muita coisa. E só.  

Depois disso o lado azul da gangorra começou o Brasileirão com instabilidades normais, se colocou entre os quatro melhores do regional, teve atuações sem empolgar apesar de não serem terríveis, ou seja, tudo dentro do esperado para uma equipe com apenas um mês de trabalho. 

A questão do tempo, aliás, é muito importante a se considerar nesta discussão. Será que precisa tanta cobrança no início da trajetória de Luís Castro e sua comissão técnica? Claro que o desempenho está aquém das expectativas, mas não é muito cedo para decretar que tudo está ruim?  

Os jornalistas, neste caso, precisam fazer um mea culpa. Têm grande responsabilidade pelas temporadas sem sucesso da dupla Gre-Nal, sim. Quando criticam os técnicos exageradamente no começo do ano, criam uma onda que vai para a torcida, chega aos dirigentes, pressiona o vestiário, provocando trocas prematuras de profissionais sem razão.  

É um ciclo vicioso e que só nos afunda. Em abril ou maio, no máximo, o trabalho é encerrado e qual é a crítica da imprensa? Que as direções não dão continuidade, que tratam do futebol de forma amadora. Tudo precisa mudar. Urgentemente. Se as redações não fizerem a sua parte, não podem cobrar. Simples. 

Logicamente que a paciência vai ter limite. Se os técnicos do Grêmio e do Inter não demonstrarem evolução e não tiverem sucesso nas competições, devem ser demitidos. O que estou pedindo é paciência. Não vamos cometer os mesmos erros de sempre.

Autor

Rafael Cechin

Jornalista graduado e pós-graduado em gestão estratégica de negócios. Atua há mais de 25 anos no mercado de comunicação, com passagem por duas décadas pelo Grupo RBS, onde ocupou diversas funções na reportagem, produção e apresentação, se tornando gestor de processos e pessoas. Comandou o esporte de GZH, Rádio Gaúcha, ZH e Diário Gaúcho até 2020, quando passou a se dedicar à própria empresa de consultoria. Ocupou também, do início de 2022 ao final de 2023, o cargo de Diretor Executivo de Comunicação no Sport Club Internacional. Atualmente mantém a própria empresa, na qual desde 2021 é sócio da Coletiva,rádio, e é Gerente de jornalismo e esporte da Rádio Guaíba.
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