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Patrocinadores pequenos ou patrocinadores grandes?

Desde o dia 29 de julho último, os atletas olímpicos norte-americanos dispararam a hashtag #WeDemandChange em suas redes sociais. Através dela, pedem a mudança …

Desde o dia 29 de julho último, os atletas olímpicos norte-americanos dispararam a hashtag #WeDemandChange em suas redes sociais. Através dela, pedem a mudança da regra 40 da Carta Olímpica, que veta a citação dos patrocinadores por parte dos atletas. Patrocinadores que não sejam os dos Jogos Olímpicos, bem entendido. Patrocinadores que apoiam estes atletas fora das Olimpíadas. Uma foto emblemática foi publicada na rede social pela atleta americana Dawn Harper mostra sua boca tapada por uma fita adesiva onde se lê “Rule 40”.

O ponto é: quem está com a razão? O COI? Os atletas? Os patrocinadores dos Jogos Olímpicos? Os patrocinadores dos atletas? Para variar, a razão está em mais de um lado. Porque os patrocinadores dos atletas estão corretos em quererem ser lembrados, citados ou terem seus nomes e marcas presentes quando aqueles que eles apoiam estão no panteão, no Olimpo. Investiram durante um tempo em um momento crucial: o de desenvolvimento e aperfeiçoamento do atleta. E – no caso brasileiro – quando outras organizações não investiram. Então, me parece natural que tanto os atletas queiram citá-los quanto os patrocinadores queiram ser citados. E merecem que o sejam.

Mas e os patrocinadores da competição, não estão corretos em quererem ter maior destaque, já que são eles quem literalmente pagam para que os Jogos aconteçam? Sim, estão certos também. Nos contratos de patrocínio, uma das cláusulas que normalmente está inserida é a de ser vedada a aparição de marca concorrente (seja no local onde a competição acontece, seja nas transmissões, seja no consumo de produtos dentro dos estádios). Se pagam pelo direito, querem exercê-lo, naturalmente.

A saída está no consenso. Na conversa, na negociação articulada, ponderada, racional e inteligente. Em questões comerciais (como de resto em muitas situações de nossas vidas cotidianas), há que se ceder um pouco ali, avançar um pouco aqui para encontrar uma alternativa que atenda aos interesses de todos. Claro, os patrocinadores dos Jogos Olímpicos resistirão. Dirão que sempre se negociou desta forma, que é um direito adquirido. Já os patrocinadores de atletas, dirão que são eles quem os apoiam e que sem seu apoio não haveria atletas capacitados para disputar a competição e, portanto, ela se extinguiria. Também estão certos.

Então, que seja encontrado um modus operandi em que os patrocinadores dos atletas possam ser citados. Desde que estabelecidos – e, mais importante do que estabelecidos, respeitados – limites. Assim como ocorre nos backdrops de entrevistas, em que as marcas que pagam mais aparecem mais (seja no tamanho da marca, seja no número de impactos por painel), igualmente pode-se estabelecer uma métrica que permita aos patrocinadores dos atletas aparecerem, desde que respeitem limites pré-estabelecidos.

As novas tecnologias (esta polêmica começou no Twitter) estão criando áreas – com o perdão do pleonasmo – novas, em que não há uma legislação ou mesmo prática estabelecida, clara. São novos cenários. Assim, há que se estabelecer uma filosofia, que seja implantada a todas as tecnologias, meios e situações. O consenso, neste caso, é a alternativa mais razoável.

Autor

Flavio Paiva

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