Passei boa parte da tarde, hoje, tentando convencer, no twitter, os “jornalistas” do Blog do Planalto a procurar um emprego mais digno que este em que estão, chefiados por Franklin Martins, esse cara que se mostra excitadíssimo, no vídeo que está no youtube, ao afirmar que sim, mataria o homem que ele e “cumpanhêros” terroristas haviam seqüestrado durante o regime militar. Não é a primeira vez que uso meu tempo para cutucar esta excrescência virtual que o governo Lula criou para enaltecer seus feitos e que nega o propósito de uma assessoria de imprensa correta em que o foco é o governo, a tal coisa pública, e não seu usuário de plantão.
Nas vezes anteriores, fui intimidada pelo Blog do Planalto porque ousei estranhar os nomes de “missivistas” de Lula, alguns ilocalizáveis, outros só existentes no Google. Ameaçaram me processar, me instigaram a “fazer uma denúncia”. Até então, eu estava atribuindo a absoluta desfaçatez dos “jornalistas” do tal Blog do Planalto à lavagem cerebral que ideologias como a do PT fazem em suas presas. Hoje, porém, me dei conta de que, além disso, o que caracteriza esse tipo de profissional e de instituição, é a falta de critério e, quiçá, o desespero, por um emprego público em que raramente se usa o mérito e a competência como na iniciativa privada. Lembrei, principalmente, de que muita gente até mesmo presta concurso público para poder nadar no mar calmo do vale-tudo de ganhar sem ter de trabalhar.
Quando coordenei a Assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado da Cultura, Sedac, de 2003 a começos de 2006, ganhei excelentes amigos. E ganhei, também, inimigos da pior espécie, ou seja, a espécie do funcionário público que tem outro emprego, o privado, ao qual ele dá horário completo enquanto aquele que nós pagamos com nosso suado dinheiro é considerado por eles um bico, quando muito.
Tive de colocar à disposição, até porque estavam se articulando para atrapalhar minha tarefa, duas pessoas que ali trabalhavam no máximo 3 horas por dia e, quando não queriam trabalhar, simplesmente não iam. Nem avisavam. Até então, nunca haviam sido questionadas sobre este ato imoral e ilegal. Tomei esta atitude inclusive diante de colega que eu julgava pessoa correta e a quem eu mesma ajudara a sair de uma função que esta pessoa odiava, em arquivo de jornal, para dentro da redação. Pois tal colega e sua “cumpanhêra” de malandragem que eu, com aval do Secretário Roque Jacoby, afastei da equipe, tentou, junto ao Sindicato dos Jornalistas, me processar porque eu estaria cobrando delas mais que as 7 horas máximas previstas para a categoria. Só um detalhe elas esqueceram: seus contratos, como funcionários públicos, era de técnicos e não de jornalistas. Claro que, mal eu saí de lá, as criaturas voltaram.
Havia ainda outro profissional, que só foi se apresentar na Assessoria um mês depois de eu ter tomado posse e assim mesmo porque eu a convoquei. Esta pessoa também tinha emprego em redação de jornal e me afirmou que, pelo salário no emprego público, não valia a pena ir até lá diariamente, que eu lhe desse um trabalho para ela fazer em casa. Que tal?
Também tive a “alegria” de ser apresentada a um “jornalista” da equipe, que estava, havia anos, “encostado” na Biometria como dizem, por causa de uma alegada síndrome do pânico: o encontrei numa danceteria, com copo de uísque na mão. Quando lhe disse, simpaticamente, que precisava dele para trabalhar, deu gargalhadas e me disse que não tinha interesse em voltar. Bacana, não é mesmo?
Por isso, por ter consciência tranqüila de ter feito um trabalho absolutamente ético e rigoroso, sem diferenciar a atuação do secretário daquela das instituições, eu me sinto muito à vontade para largar o pau em cima de gente como esta que Franklin Martins arregimentou para fazer o tal Blog do Planalto. Não posso admitir que eu, você e todos os trouxas deste Brasil, estejam pagando salários para gente comprometida com um governo (e não com uma nação) fazer matérias laudatórias a políticos, simplesmente calando diante de denúncias sérias sobre fatos públicos de corrupção e mau uso da máquina pública, ou diante de declarações estarrecedoras como esta mesma de Franklin Martins confirmando que não hesitaria em matar o seqüestrado a mando de seu grupo terrorista. Quer dizer: publicaram carta do “chefe” para “desmentir” sua tesão pela censura às mídias, mas quanto ao vídeo em que fala de matar como se fosse tomar um cafezinho, nada.
Quando questionei o Blog Planalto, via twitter, sobre o tema, nada responderam. Depois, certamente após consultar Franklin Martins ou algum seu preposto, os blogueiros vieram com a cantilena ao estilo de Ahmadinejad, Fidel Castro e Hugo Chaves, de que seu “papel” está no expediente do blog. Antes cumprissem o que está neste expediente! Também cobrei deles se publicariam o reconhecimento feito pela Receita Federal de que, sim, houve venda de dados sigilosos do Imposto de Renda de contribuintes brasileiros, em especial do grupo de José Serra, num verdadeiro rasgar da Constituição no que toca à privacidade, por pessoas que usaram senha de funcionários da instituição. Acham que o Blog Planalto me respondeu? Se despediu, simplesmente.
Tenho ex-colegas de jornalismo que até respeitei, um dia, que hoje engrossam o grupo encarregado de fomentar e de impor a maior mentira da história da política brasileira, Dilma Rousseff, ao eleitorado e, parece, com sucesso. Sei que a vida impõe, muitas vezes, que pessoas aceitem tarefas que possivelmente não caibam em seus valores morais por questões financeiras. Sobreviver, afinal, é preciso. Eu prefiro, no entanto, limpar privada de banheiro público a ter de abdicar de minha honra, de minha dignidade, em troca de grana para semear mentiras com vistas a vender um produto falso destinado a prolongar velhas práticas matreiras, desonestas, ilusórias.
Não duvido que, em outubro, Dilma Rousseff, a mulher que evita tocar em seu passado de guerrilheira, mesmo enfraquecida pelo câncer seja eleita presidente do Brasil. Assim como não duvido que José Serra vença este aparato podre de marketing proporcionado por dinheiro de sindicatos, empresários que adoram mamar no dinheiro público e fanáticos que também esperam uma boquinha nos quadros do governo, além de brasileiros analfabetos e mesmerizados pela imagem de um presidente que diz palavrão, fala errado e nivela por baixo.
Há pouco, revi na TV a reportagem em que os mineiros, presos a 700 metros abaixo da terra, no Chile, cantavam o hino nacional de seu país. E os ouvi dizer que querem estar livres para comemorar o dia da pátria. Aqui, a patuléia já está enterrada sem saber, e poderá ficar mais quatro anos no fundo do poço, achando que está no céu, caso eleja Dilma. E em vez de cantar o Hino Nacional, que nem sabe, prefere cantar palavras de ordem que jornalistas sem escrúpulos e marketeiros sujos lhes enfiam goela abaixo.
