A expressão, embora de uso popular, ficou praticamente como sendo de autoria de Luis Fernando Veríssimo, por ser ele um dos seus mais eminentes e freqüentes usuários. Há poucos dias, novamente lançou mão desta expressão, mas com o enfoque da política. Disse ele que os regimes totalitários, como é o caso do Iraque, não se dão bem com gente que diz “Péra aí um pouquinho”, porque esta expressão indica um ato de alguém que quer refletir sobre o que está sendo dito ou tratado, o que não é bem tolerado por ditadores.
Como esta é uma coluna na qual abordo marketing, vamos falar de “Péra aí um pouquinho” em marketing.
Os conceitos de marketing são básicos, simples até. Incluem bom atendimento, produtos e preços adequados, promoção, entre outras coisas. Porém, um dos aspectos mais importantes em marketingg – e que não está escrito nos livros – é o bom senso. O bom senso seria, para mim, o “Péra aí um pouquinho”. Refletir, antes de fazer. Dar uma paradinha. E pensar: “Se eu fosse cliente, eu gostaria de receber isto (produto, serviço, propaganda)?”. Se o Paup (Péra aí um pouquinho, vou abreviar) fosse mais utilizado, certamente haveria clientes mais fiéis, mais satisfeitos e – o mais importante – empresas mais lucrativas.
Se o Paup fosse utilizado, com certeza a minha sogra não teria recebido um cartão VIP de um crematório, oferecendo um desconto especial. Certamente ninguém da empresa disse “Paup, pessoal! Vocês querem colocar esta pessoa de cara com a morte? Dizer que ela vai morrer logo? Ela não vai gostar da nossa empresa assim. Deste jeito, vamos criar uma imagem negativa da empresa. Vamos encontrar outra forma de levar informação sobre nossos serviços ao público”. Se alguém tivesse feito este pequeno exercício, com certeza o material não teria sido enviado. Também minha caixa de correio não seria lotada de ofertas pelas quais não tenho o menor interesse.
Os exemplos são incontáveis em termos de ações equivocadas. São tantos que resolvi desenvolver um novo movimento, o Movimento dos Pró-Péra aí um pouquinho, o MPPAUP. Vamos refletir um pouco mais, pessoal. Vamos tirar os olhos de dentro da nossa empresa, mirar o horizonte, andar pelo centro de Porto Alegre, vendo como as pessoas compram, como se comportam, vamos sair de dentro dos escritórios, conhecer de perto a realidade do nosso cliente. O principal: vamos nos colocar no lugar dele. Antes de dar o “enter” e disparar aquela campanha de database marketing, antes de colocar a campanha da agência no ar, antes de enviar o folder via correio, vamos dar uma parada. Não importa se o dono da empresa ou o diretor da agência ou o diretor de tecnologia da empresa estão achando fantástica a ação. Pare. Pense. Imagine-se em casa ou no trabalho recebendo aquela informação ou oferta. Você ia gostar?
Portanto, lanço aqui as bases do Movimento dos Pró-Péra aí um pouquinho. Adesões podem ser feitas diretamente através do meu e-mail.
Editora Campus
Como na semana passada foram vários títulos que recebi, nesta semana não recebi nenhum. De forma que fica a dica para visitarem o site da editora: www.campus.com.br, onde há várias outras dicas de livros de negócios, marketing e tecnologia.

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