Do Jornal da Globo, na semana passada: “A garotada gosta de rock porque os pais odeiam. A frase do velho roqueiro Chuck Berry é do tempo
O episódio me lembrou outro, ocorrido há cerca de dois anos, no qual o apresentador do Jornal Nacional abriu um texto da seguinte forma: “Maradona, que está gordo com uma bola, disse que o Brasil…”, como se os muitos quilos a mais desqualificassem as opiniões do ídolo argentino. Nas novelas, nas quais tudo é gravado às pressas, ou no teatro, ao vivo como os telejornais, cacos podem ser bem-vindos. Obra de atores talentosos e experientes, tais inserções podem conceder o colorido que faltava à cena, ou arrancar risadas da platéia. Mas informação não é ficção, ou não deveria ser. Pitacos podem soar moralistas, preconceituosos, inconvenientes. Principalmente porque são quase sempre gratuitos.
De que interessa, em matéria tão curta, os vincos do Keith Richards? Falar da heroína não é problema, mas naquele contexto soou gratuito. A longevidade dos Stones é fantástica. A energia de Mick Jagger é incrível, por isso digna de nota, mas por que explicar as rugas? Assim como gordos devem ficar calados, velhos não devem fazer shows? É contra os velhos ou contra as drogas? Vale lembrar a quem cometeu o texto que os Stones jamais seriam o que são se não tivessem certos vícios. Não se encontram Mick Jaggers na missa das seis (mas aí já é assunto para outro dia). Talvez fosse apenas uma forma de passar uma informação a mais para o telespectador. Mas pitacos em telejornais costumam acabar mal.

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