Na vida, nos fazemos perguntas. E elas variam de acordo com a idade, com a maturidade, com a circunstância e o contexto. Existem perguntas que quase todos fazem, como “E agora?”, no sentido mais amplo que ela possa ter. Em algum momento da vida, sozinho ou acompanhado, perdido ou nem tanto, acabamos por fazer esta pergunta.
Pois a dimensão das perguntas também varia. Passam de questionamentos superficiais a mais profundos(ou vice-versa, de acordo com o andamento evolutivo de cada um). Diariamente, oscilamos entre perguntas banais e perguntas mais profundas. Ou talvez não diariamente para alguns, que não se questionam de questões mais profundas. Para os nossos questionamentos banais, damos respostas idem. Rapidamente, acabamos por responder a perguntas como “cinema ou dvd em casa?”, “praia ou serra?”, coisas do gênero.
Já perguntas do tipo “o que estou fazendo da minha vida?”, uma especie de “o que é isto, companheiro?” para si mesmo, tendem a ou não serem feitas(varridas para debaixo do tapete da sala de estar da vida), pois as respostas são trabalhosas(sempre digo que pensar “dá trabalho”, requer pausa e esforço, concentração e foco) e eventualmente dolorosas. Quem quer se deparar com uma resposta do tipo “estou desperdiçando minha vida” ou “estou no caminho errado” ou “eu fui um incompetente, mesmo!”? Ninguém gosta de olhar no espelho e ver o erro, o fracasso, a incerteza.
Gostaríamos todos de olhar a imagem do sucesso.
Mas não é bem assim. Os processos de crescimento na vida são normalmente dolorosos. Custosos. Porém, o resultado final é fantástico. Passa-se a enxergar a vida sob outro prisma, até sob outra dimensão. E, como toda a bagagem de conhecimento que adquirimos ao longo da vida, é uma bagagem que nunca mais nos tirarão.
Assim é que a idade, tão combatida por botox, emagrecimentos, pinturas de cabelos, cirurgias plásticas e congêneres, é pródiga em ir gradualmente mostrando a real dimensão da vida. Os (sempre são mais de um) caminhos da vida possíveis, suas encruzilhadas e atalhos. Como citei, não há somente estes caminhos. Mesmo quem viveu bastante pode não enxergar alternativas que um outro alguém mais jovem veja. A sabedoria vem da tolerância, do diálogo e da permeabilidade em saber-se conhecedor de verdades, mas não as únicas.

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial