Tenho lido e recebido muitas notícias, infelizmente ruins sobre o processo de reestruturação de O SUL após o encerramento da versão impressa e a conversão para uma edição digital. Há quase um ano, em abril de 2015, quando foi divulgado pela rede Rede Pampa que o jornal iria migrar para o sistema digital, primeiro em versão PDF e depois um portal, e manter a equipe de trabalho, duvidei. Não porque não acredite nas boas intenções da diretoria, mas por uma simples razão: se o faturamento com mídia impressa já era insuficiente para sustentar o veículo no sistema anterior, imagine começar um projeto, praticamente novo, onde se sabe que o investimento em mídia ocorre em valores menos expressivos. E ainda teria que concorrer com Zerohora.com, já consolidada nessa plataforma.
O caminho escolhido pela Pampa talvez tenha sido equivocado e hoje sabemos de novas e constantes demissões… e o pior, muitas forçando uma justa causa. Os abnegados funcionários não precisavam passar por isso. Claro que entendo que, para poder cumprir com as obrigações sociais o desembolso financeiro para um grande grupo seria alto. Então, O SUL foi minguando… com demissões em lotes. Uma pena. E quando digo que é uma pena e sinto mesmo, porque tive o orgulho de fazer parte daquela entusiasmada equipe que lá em 2001 participou do processo de instalação do jornal. Sonhávamos em competir ali, ali com os mais antigos e fortes, como ZH, Correio do Povo e Jornal do Comércio. Mas com um estilo diferente.
O sonho durou pouco, e neste caso, principalmente por culpa da diretoria, que decidiu impor um sistema quase ditatorial de edição, praticamente tirando a autonomia da equipe de jornalismo. No início, muito bom, que estava no comando era o Nelson Ferrão Matzenbacher, o Mola, muito experiente por sua trajetória em Zero Hora e na implantação do Diário Catarinense. E como sua escudeira, outra jornalista competente e com muita estrada: Núbia Silveira. Pois Ferrão não aguentou o sistema sufocante e que não cumpriu promessas de atualização salarial prometida e ficou só até novembro. Preferiu evitar o desgaste e não se violentar. O mesmo ocorreu com sua sucessora, Núbia. Também resistiu pouco tempo, pois não conseguiu demover a diretoria da decisão de fazer um jornalismo de “faz de conta” e muito baseado em reaproveitamento de textos das agências do centro do país.
Saiu Núbia, entrou Gonzaga, que também ficou pouco tempo. Foi demitido por erro na manchete principal, que até hoje permanece inexplicável… Eu fui convidado e aceitei. Até porque queria me fixar em um lugar que gostava e me dedicar mesmo a tornar o jornal melhor, mais competitivo, apesar das restrições. Doce ilusão. Mas a minha saída não foi por erro ou divergência editorial… eu fiz uma exigência salarial para assumir a direção de redação. Resistiram, mas aceitaram Mas também durei pouco (seis meses), e por ser considerado um “marajá”, minha saída foi providencial para a empresa economizar e escalar alguém com a metade do salário. E o processo segui seu ritmo…
Apenas relembrei esta história para dizer que O SUL tinha um bom futuro pela frente, mas talvez a diretoria tenha se equivocado na condução do processo. Poderia até ficar com uma equipe mais enxuta, mas ter um perfil jornalístico que o diferenciasse dos concorrentes. Senão, por razão um leitor iria preferir O SUL e não ZH, CP e JC, por exemplo? O tempo foi passando e o jornal estacionou, encontrou dificuldades para melhora seu faturamento. Nem todo o fantástico conhecimento e sucesso da Rede Pampa no segmento rádio foi suficiente para mudar o pensando de quem dirigia o jornal. E deu no que deu.
Uma bela equipe, um moderno parque gráfico – que após o término da edição impressa iria dedicar-se a serviço para terceiros – se tornavam inviáveis. Porque a Rede Pampa não buscou uma alternativa mais viável para dar continuidade ao processo de integração entre uma edição impressa e uma digital, construindo uma mudança mais adequada? Porque não tentou oferecer o título a um grupo de empresários, que se cotizariam para sustentar o veículo até torná-lo forte? Será que não teria dado certo? Eu não posso responder por um simples motivo: essa alternativa não foi tentada. Talvez por orgulho. Talvez por não terem pensado nisso.
O que ficou foi uma grande tristeza de perdermos um jornal com bom potencial, que virou digital, mas reduziu muito a equipe e tentará sobreviver nesta selva que virou a disputa por espaço na comunicação. Qual o futuro de O SUL? Mesmo sendo um otimista incorrigível, desta vez não tenho grandes esperanças de ver O SUL em alta. Espero levar nos dedos como se diz na gíria… Se isso acontecer, ficarei feliz por minha previsão errada.

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