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Qual perna vai pesar mais?

Nenhuma surpresa na final do Gauchão né? Teve até susto no lado tricolor, mas o Gre-Nal foi inevitável mais uma vez. Só não podemos cair na armadilha de achar que é prioridade. Certo é que o momento é de pressão, de sacrifício e de testar quem está preparado para um 2026 melhor do que o ano anterior. A perna pode pesar.

As finais do estadual deveriam ser segundo plano em relação ao Brasileirão com jogos importantes nas próximas semanas, depois de um início ruim dos times nas primeiras rodadas. Claro que é uma utopia, ninguém vai deixar de lado os clássicos, o que para mim é um erro.

A questão toda envolve a rivalidade, que como temos dito aqui nesta coluna semana após semana, está se tornando prejudicial para os dois lados. Por incrível que pareça aquilo que em outros tempos nos fez crescer no futebol atualmente está nos afundando.

Provas não faltam. No ano passado a corda esticada no regional provocou efeitos negativos ao Inter no resto da temporada. Há quase uma década os dois só ganham Gauchão porque dão mais importância para a disputa interna do que para grandes conquistas. Está errado. Corremos sério risco de repetir o que ocorre desde 2018, ficando como coadjuvantes nos cenários nacional e sul-americano.

A trajetória está desenhada. Antes do primeiro Gre-Nal decisivo do Gauchão há desafios grandes no Brasileirão. O Inter tem viagem longa, a mais distante do campeonato, e precisa recuperar pontos perdidos especialmente na estreia diante do Athletico-PR num fase de montagem da equipe pelo recém chegado Paulo Pezzolano.

O que vai priorizar? A final do próximo domingo na Arena ou a chance de reagir no nacional?

A boa notícia para os colorados é que os principais jogadores foram poupados no início da temporada e agora estão engatando um ritmo mais intenso. Justamente quando vão ocorrer os primeiros testes importantes, o encaixe está acontecendo e destaques do time como Alan Patrick, Bernabei e Borré têm alta no desempenho nas últimas partidas.

Os gremistas se preocupam um pouco mais com desfalques e com o aparente desencaixe do trabalho de Luís Castro, o que sinceramente acho um exagero contra o português. Mas não é impossível que vençam os Gre-Nais e conquistem o título gaúcho. Na semana, a perna deve pesar menos, em função do cansaço porque seu jogo no Brasileirão é em casa, até a primeira decisão.

Muita pressão pela frente, muitas opiniões definitivas que vão prejudicar o lado perdedor, muita expectativa desnecessária para um campeonato que para mim vale nada. As finais do Gauchão chegam com dois clássicos que, como sempre, serão quentes. Vamos torcer para que não esfriem o resto da temporada, que é o que interessa.

Autor

Rafael Cechin

Jornalista graduado e pós-graduado em gestão estratégica de negócios. Atua há mais de 25 anos no mercado de comunicação, com passagem por duas décadas pelo Grupo RBS, onde ocupou diversas funções na reportagem, produção e apresentação, se tornando gestor de processos e pessoas. Comandou o esporte de GZH, Rádio Gaúcha, ZH e Diário Gaúcho até 2020, quando passou a se dedicar à própria empresa de consultoria. Ocupou também, do início de 2022 ao final de 2023, o cargo de Diretor Executivo de Comunicação no Sport Club Internacional. Atualmente mantém a própria empresa, na qual desde 2021 é sócio da Coletiva,rádio, e é Gerente de jornalismo e esporte da Rádio Guaíba.
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