
Livro bom merece releitura. Foi o que fiz na semana passada com o “51 Axiomas de Poder“, do Walter Longo. O autor é um mestre em unir, com extrema sensibilidade, os fundamentos da filosofia à velocidade da tecnologia e às nuances do comportamento humano. Entre tantas lições, uma me tocou de forma especial por propor uma pergunta que todos nós, em algum momento da jornada executiva ou pessoal, fazemos: afinal, o que é ser uma pessoa bem-sucedida?
Vivemos em uma era de métricas implacáveis. Somos medidos por gordas cifras bancárias, pelos bens acumulados, pelo número de seguidores que validam nossas opiniões ou pela repercussão midiáticas do que realizamos. Não me entendam mal: essas evidências de bom desempenho têm seu valor e não devem ser desprezadas. Porém, a essência de uma vida exitosa não entra em uma planilha numeral. O verdadeiro sucesso não é constatado nos frios índices de performance, mas sim no enredo e na narrativa de vida que construímos ao longo do caminho.
Sob essa ótica, o sucesso deixa de ser o quanto você acumulou para se tornar o legado que você deixou. É a transição do “ter” para o “ser”, onde o sucesso existencial não é o que aparentamos, mas o que representamos.
A lógica do Walter Longo é brilhante ao atrelar a relevância da vida pessoal à cronologia histórica, alicerçando nossa existência em uma linha do tempo simbólica e emocionante: na infância, nós ouvimos histórias; na fase adulta, trabalhamos incansavelmente para fazer história; na maturidade, temos o privilégio de contar histórias; e, quando partirmos, o estágio final, talvez o mais nobre, nós viramos história.
Essa trajetória reflete o que realmente importa. Uma vida significativa não precisa ser, obrigatoriamente, famosa aos olhos do mundo, mas precisa ser uma vida que vale a pena ser vivida e, especialmente, lembrada. É aquela história que os outros contarão sobre nós quando não estivermos mais presentes para corrigi-los. É a reputação — nosso ativo mais valioso — transformada em memória viva.
Por isso, deixo aqui um convite à reflexão: olhe para além dos seus indicadores de curto prazo. Avalie a qualidade da narrativa que você está escrevendo hoje. No final das contas, o seu grande troféu em vida não é o que você carrega nas mãos, mas a semente que você planta no coração de quem fica.


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