Quando foi mesmo que nos acostumamos a ser assaltados, a ter os vidros de nossos carros quebrados e os rádios furtados, pensando que “Infelizmente, faz parte.”? Ou a ver usuários de crack no noticiário da TV e pelas ruas das cidades? Ou ainda assistir a xingamentos totalmente desproporcionais e até a reações violentas no trânsito? E o que é pior? Assistir a tudo com um misto de sentimento de impotência e preguiça, de que não há nada a fazer?
Deve ser no mesmo momento em que a educação entre as pessoas passou para um segundo plano, em que os pais abdicaram da tarefa de educarem seus filhos, terceirizando-a para as escolas e depois para as ruas. Deve ter sido quando as músicas passaram a chamar as mulheres de cachorras, quando o cara “esperto” é o que enche a cara e dá uma de valentão, quando o esperto, lá que deu origem à Lei de Gerson que rege quase todo este país de norte a sul, passou de execrável a celebridade. De sem caráter a malandro que se dá bem.
Foi quando se flexibilizou a tolerância com o que é ético e correto, quando o Brasil tornou-se um grande “não dá nada e se der dá bem pouquinho”. Quando exemplos de retidão de caráter passaram ser vistos como coisas de “otário”.
Há coisas na vida que são absolutamente intoleráveis, incorretas, reprováveis, condenáveis e inaceitáveis. Todas as formas de violência se incluem entre estas. E não falo apenas da agressão física, tampouco dos assaltos. Falo da violência moral, que transformou nossa sociedade numa prática de estupro social, uma grande Sodoma e Gomorra coletiva e o que é pior, aceita pela sociedade-ou por grande parte, quer por omissão, quer por impotência, quer por achar que um estupro social em um lado não terminará se transformando num grande gerador de violência em outra ponta. Porque vivemos em rede, a sociedade está totalmente integrada e se mexemos numa ponta desta gigantesca teia de aranha, há reflexos imediatamente sentidos em toda a parte.
Falta ainda consciência social. Porque se humilho socialmente(ostentando) nesta sociedade de imagem os que têm menos, a conta chegará. Ela pode demorar, mas chegará. Chegará na forma de um roubo, para que o ladrão tenha o mesmo que esfrego em sua cara(seja um carro, um tênis, minha prepotência). Chegará e muito provavelmente chegará potencializada, amplificada, num jorro de violência que chocará a todos, espantados com a brutalidade. Mas gente, por favor: é so fazer a conta! Se não queremos estupro social, que não o provoquemos, com nossas atitudes de desrespeito social, de falta de consciência coletiva. Como se fosse possível em uma sociedade cada vez mais globalizada vivermos olhando exclusivamente para o nosso umbigo, o centro do universo, entrando nele e fazendo uma viagem ao centro da Terra (Terra EU).

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