Me deprimiu olhar, no dia seguinte ao autorizado pela legislação, os postes da cidade serem cobertos por placas de candidatos às próximas eleições. Independente de partido, proposta ou político, todos invadiram o nosso espaço visual, já tão poluído. E de forma negativa, enfeiaram ainda mais a cidade.
Somos submetidos a uma infinidade de impactos e estímulos visuais diariamente. Na ânsia de se fazerem notar, as empresas começaram a colocar banners, outdoors, back lights, front lights, luminosos. Há alguns anos, funcionava, pois os impactos eram em menor número. O espaço era disputado entre um número menor de empresas. E o resultado era, evidentemente, uma maior taxa de lembrança por parte dos indivíduos.
Pois as empresas começaram a disputar, sem qualquer critério, os espaços, de forma atabalhoada e selvagem. O resultado foi trágico. Não entendo por que não há uma regulamentação com relação a esta prática. Algo semelhante ao plano diretor, que regulamenta o que as empresas podem (ou não podem) construir na cidade. Há limites para o número de andares de prédios, recuos obrigatórios, enfim, regras estabelecidas.
Pelo fato de meu pai ter sido arquiteto, convivi muito com a preocupação dele (e da maior parte dos arquitetos), de que a cidade seja um lugar aprazível de se viver. Os chamados urbanistas procuravam fazer obras, sim, mas de forma que estas tivessem um aspecto atraente e harmônico com o ambiente onde seriam feitas. Não sou contra obras nem o progresso e o desenvolvimento. Mas há que se ter regulamentação. A base da vida em sociedade são normas, para termos uma comunidade organizada e em que uns não invadam o espaço nem os direitos dos outros.
Pois a política lamentavelmente copiou(na verdade, já copia há muitos anos) este exemplo. As incontáveis placas afixadas nos postes, os muros que passaram a ser pintados poluem e agridem os olhos de qualquer cidadão. Não haveria, mesmo, uma maneira melhor de se fazer campanha? Além disso, quem consegue ler alguma coisa em um poste? Quando se passa de carro, ônibus ou lotação por um poste, o tamanho das placas e a velocidade do veículo impedem que se possa ler o que está escrito.
Finalmente, uma última observação. Todos estão sorrindo em seus cartazes. Do que riem tanto? A vida é dura para a maior parte da população. E, até onde conheço, a política não é um espaço para gracejos. Não estou falando de carrancudos. Não acho que a vida seja ruim e acho que devemos sim, sorrir a cada dia. Mas temos que tratar com a maior seriedade temas que são sérios. E política, que trata da vida diária de todos nós, merece esta seriedade. Vamos deixar para rir quando conseguirmos ter uma vida minimamente digna para todos.

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