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Quem somos nós lá fora?

” Para os americanos, o Brasil é uma nação que até hoje não conseguiu botar um político corrupto na cadeia. (…) E um país …

Para os americanos, o Brasil é uma nação que até hoje não conseguiu botar um político corrupto na cadeia. (…) E um país não muito diferente da Bolívia, El Salvador e Costa Rica, para a classe média de Nova York, Boston e Miami. Este é o Brazil. Brazil com z”.

É muito difícil para um observador estrangeiro acompanhar a vida política brasileira. (…) Para o telespectador britânico que não lê jornais de qualidade (a grande maioria ) a imagem do Brasil é a de uma selva imensa, pegando fogo e provocando uma cortina de fumaça que contribui para a aceleração do efeito estufa”.

Difícil, se não impossível, é responder a uma pergunta que na Itália e na Europa sempre é feita pela gente mais simples de grandes e pequenas cidades: ‘Por que um país tão rico e tão grande conseguiu ser tão infeliz?’”

O Brasil está a passar ao lado do futuro. (…) É um gigante adormecido. Já houve e há políticos sérios, mas ainda não lhes foi dada nenhuma oportunidade”.

O desinteresse pelo Brasil é um fato notório na França, refletindo inclusive no próprio trabalho dos correspondentes brasileiros. (…) No momento, o Brasil saiu da pauta na França”.

O principal problema do Brasil é a marginalidade social. (…) E fico a imaginar como seria impressionante o impacto da integração desses marginalizados ao processo de produção”, analisa.

Pela ordem os textos são de Hermano Henning, então correspondente nos Estados Unidos, Oscar Pilagallo e Beatriz Alessi (Grã-Bretanha), Araújo Netro e Lisa Maria Silva (da Itália), Cristina Durán (Portugal) e Paulo Totti, (Argentina). Seus textos formaram a matéria de capa da revista Imprensa número 50, de outubro de 1991, que teve por título A Imagem do Brasil no Exterior – Como o Primeiro Mundo Vê o País.

Recorri a ela motivada em especial pela viagem do presidente Lula a Holanda, esta semana, e a fraqueza da repercussão deste périplo com direito a declarações do tipo ” e não me digam que o aumento de preços (dos alimentos) é do por causa dos biocombustíveis”.

Percorri uma dezena de sites da Europa e dos Estados Unidos, incluindo a Rádio Holanda que fez uma matéria burocrática cujo título nem cita o presidente brasileiro. Não é muito diferente no site em português onde o único dossiê sobre a presença holandesa no país é de 2004. No site da VR.DAG, também uma pequena matéria graças à presença, na foto, da Rainha Beatrix.

Dá uma certa tristeza ver que, apesar de todo o otimismo, dos acertos inegáveis da dupla gestão do PT e seus aliados com base no caminho aberto pela dupla gestão de FHC, apesar de tantas e anunciadas possibilidades de o Brasil ser, de fato, um país emergente que conta para o mundo, continuamos sendo notícia de rodapé.

Melancólico pensar que o que foi mostrado pela revista Imprensa há 17 anos continua igual.

Autor

Maristela Bairros

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