Nos últimos anos, houve uma ampliação expressiva do papel das questões emocionais na vida das pessoas, tanto na vida pessoal quanto profissional.
As empresas encontraram nos sentimentos o diferencial. Comoditizam-se os produtos em escala assustadora. Diferenciam-se cada vez menos frente aos olhos de um consumidor apressado e estressado na hora de escolher. Como resolver esta questão? Investindo na emoção.
Uma empresa que tem o selo da Abrinq, por exemplo, é vista com simpatia pelos consumidores. Se os produtos são semelhantes em termos de qualidade e uma das empresas faz algo que o consumidor entenda relevante, simpático, politicamente correto, o que este faz? Opta pela empresa socialmente responsável. É uma decisão emocional.
Outra empresa pode optar por usar licenciamento, aplicando uma marca ou personagem no seu produto. No caso infantil (o mais emblemático no licenciamento), a decisão de compra acaba residindo aí. Peguemos biscoitos recheados, um produto amplamente consumido pelas crianças. Considerando que todos aqueles que estão na gôndola podem ser considerados de boa qualidade e que o setor de alimentos acaba sendo muito competitivo no que se refere a preço, o que pode definir a compra? Um personagem que desperte na criança emoções, simpatia e que freqüente o seu universo infantil. Novamente, decisão emocional.
Em todos os veículos de comunicação pipocam notícias animadoras, de que o desemprego está reduzindo, que há otimismo entre os consumidores e empresários e o resultado disto se verá em breve. Os empresários (ou parte deles) retomarão investimentos engavetados, os projetos arquivados, pois sentem que o clima é favorável. Mais uma decisão emocional (neste caso, a decisão evidentemente não é exclusivamente emocional, mas fortemente influenciada por aspectos emocionais.).
São muitos os casamentos nos quais um cônjuge se queixa do outro de falta de interesse, de desamor, de insensibilidade. Porém, caso vão a uma terapia de casais, acabam por constatar, muitas vezes, que o problema não era este, mas em como que o “cônjuge desprezado” sentia as coisas, não na realidade fáctica.
Em um jogo de futebol, o time perdendo, se as emissoras de rádio começassem a criticar a falta de empenho deste time, os torcedores começariam a ter reações de indignação e até raiva. Se, mesmo com a derrota, as rádios dissessem que o time está empenhado, guerreiro, muito possivelmente os torcedores terminariam aplaudindo seu time, ainda com resultado adverso.
As emoções, como vimos, são reais tomadoras de decisão no mundo de hoje. Compreender seu funcionamento, motivações e entender esta grande caixa preta que é o cérebro (mais do que o cérebro, o coração) é uma tarefa cada vez mais relevante para aqueles que desejam ter sucesso nos negócios. É uma chave em forma de coração quem está abrindo(ou fechando) os bolsos dos consumidores.

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