Hoje estava sem assunto para escrever e resolvi largar com um título apimentado na esperança que surjam dois fenômenos, a saber: o título me mobilizar. Escrever sobre este assunto me obriga abrir a gaveta dos temperos fortes, dos vidros de pimenta, dos condimentos picantes. Ó, condimentos picantes já sugere sacanagem, embora a maioria dos seres picantes possuam venenos letais, taí a cobra para ilustrar, além de oferecer um ato falho. E o segundo é você achar minimamente interessante esse começo e ir até o fim, para saber que diabos significa o sexo complexo. Mas se você costuma se ofender com cenas fortes, ou for sugestionavel, não vá. Hoje vou meter o pé na jaca. Prometo muita sujeira, muita lama.
Já que o Belzebu foi mencionado, há quem diga que o sexo complexo é aquele que o diabo gosta. Sexo dos anjos já ouvimos falar, imagino que seja como cerveja sem álcool, carne de soja, mas como seria o sexo dos diabos? Bem, algo muito, mas muito quente, em que as labaredas sobem rapidamente. Para não deixar fácil, a diaba corre pelada para o quinto dos infernos, e o diabo atrás, com seu garfo em riste. A diaba faz uma sequência de preliminares diabólicas, é claro, deixa o diabo com um tesão dos demônios… E depois não dá para o coitado.
“ Como assim, não quero mais?” – diz o diabo p da vida. “Não quero, vi você espetando a diabinha estagiária, além do mais está na hora das crianças chegarem e mamãe vem dormir aqui hoje.” “Não aguento mais, isso é um inferno” – grita o diabo, saindo e batendo a porta com toda a força, mas esquecendo de puxar o rabo a tempo. “Olha o pleonasmo” – grita a diaba. “Vá para o inferno”- responde ele. “Já to” – rebate ela. Portanto, isso também é sexo complexo.
Outro exemplo de sexo complexo, mas este mais mundano. Marido e mulher preparam-se para fazer um curso intensivo de Kama Sutra. Ele só pensava em descobrir novas posições na cama. Kama ele sabia o que era, Sutra devia ser algum tipo de sacanagem que eles iriam descobrir no curso, podes crer – pensou animado. “Para nos redescobrirmos”, no dizer da Maria Helena, uma intelectual da gema. “Acho que é um forma de a gente ritualizar a sexualidade, a nível de ganhos sexuais autossustentáveis” – diz para o seu terapueta. “Mas ganhos sexuais autossutentáveis não seria masturbação, Maria Helena?” – perguntou o analista. “Uau, descobri que quero me separar dele.”
Viu? Se a sua mulher vier com papo de Kama Sutra, saiba que se trata de sexo complexo, e sexo complexo quase sempre é broxante, não caia nessa.
Por isso fuja de sexo complexo, fique com o bom e velho sexo gastronômico, aquele que o homem come a mulher, na verdade é a mulher que come. E estamos conversados.
Sei que esperavam algo mais apimentado desta crônica. Mas se quiser sacanagem grossa, passe um dia na Câmara Federal e outro no Senado. Ué, não era lama e muita sujeira que você queria? Como assim não gostou? Bem feito. Para aprender a não ler nada que tenha o título sexo complexo. Podes crer.
