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Sinceramente, não sei

Poucas vezes se assistiu a cena tão comovente e estarrecedora quanto a do bebê jogado ao lago num saco de lixo em Belo Horizonte. …

Poucas vezes se assistiu a cena tão comovente e estarrecedora quanto a do bebê jogado ao lago num saco de lixo em Belo Horizonte. Poucas cenas foram e serão tão repetidas pela TV do Brasil e do mundo, reproduzidas em jornais, revistas, sites. Retrospectivas a trarão de volta. A mídia explora demais estas coisas ou precisamos mesmo assistir várias vezes para nos convencermos de que, sim, isto acontece?

Sinceramente, não sei. 

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À exceção da TV Globo, todas as mídias e todos os veículos execram o Big Brother. Tanto odeiam que promovem longos debates sobre o tema, ouvem sociólogos, realizam enquetes, dedicam horas e horas, ou páginas e páginas ao assunto. Ninguém do meio intelectual reconhece que assiste. No máximo admite ter visto certa vez por alguma espécie de curiosidade antropológica. Se nunca vêem, como conseguem ter tantos subsídios para suas longas teses sobre o tema? E por que perdem tanto tempo comentando algo tão desprezível? Sinceramente, não sei. 

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Os “irmãos Cravinhos”, como ficaram conhecidos, tiveram de debochar da sociedade, da polícia e da justiça em uma entrevista a um programa de rádio para que algum juiz os devolvesse à cadeia. Autores do duplo homicídio qualificado do casal Von Richthofen foram presos pelas palavras. Um dos pressupostos para conceder a liberdade não é a certeza de que o réu não representa ameaça à sociedade? Ou mudou a lei? Ou eles não são considerados ameaça?

Sinceramente, não sei. 

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Como diria o presidente Lula, companheiro, eu não sei de nada.

Autor

Eliziario Goulart Rocha

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