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Síntese da síntese

Por Flavio Paiva

A expressão não é minha, mas do designer Valpírio Monteiro, Numa situação recente, pedi a ele um resumo de um trabalho que ele havia desenvolvido. Ele me mandou então, um email cujo assunto era “síntese da síntese”. E de fato, nessa ocasião era. Ele, com talento e experiência únicas, soube sintetizar perfeitamente.

Então, me ocorreu o tema ser aproveitado em uma coluna porque, ao contrário dele, que soube sintetizar sem perder em nada a essência, estamos vivendo em um mundo em que a tentativa é essa: reduzir tudo o que for possível de textos, vídeos, enfim, o grande desafio de passar a essência, mas com contexto. Em 15 segundos ou numa frase. Ou, às vezes, numa palavra. Ou imagem. 

A questão é: estamos mesmo conseguindo? Nem sempre. Hoje, necessário e indispensável até fazer pitch de tudo, porque o mundo anda tão cheio de inserções, interrupções, estímulos, que é aquilo: o grande ativo é o tempo. Coisa que anda escassa e de um tempo para cá surgiram pessoas ou organizações que ensinam como fazer pausa em um mundo tão tumultuado. Veja bem, ensinar a fazer pausa.

Não acho que seja exagero ou desnecessário. Mas para quem, como eu, tem um pouco de trecho já, sabe que tempo foi uma das coisas que mais tivemos na infância, adolescência e até em parte da juventude. É o famoso “ora vejam só…quem diria”. Nós, temos que ser ensinados a fazer algo que sempre soubemos. E, pensando bem, agora nos ensinam uma série de coisas que sempre soubemos fazer, mas desaprendemos. Respirar, por exemplo. Criar filhos(fazer bem ou mal, mas sempre foi mais natural acontecer), cultivar plantas ou mesmo saber diferenciar quando se está debaixo de um mangueira(falo do pé de mangas, naturalmente) ou de outra árvore. Contexto.

Então, meu ponto aqui é que essa certa angústia pela síntese da síntese das coisas(o que não aconteceu nem de longe com o Valpírio, pois ele além de entregar com acréscimos o que pedi, o fez com sabedoria e elegância) está sendo um certo desaprender de enxergar o mundo. O mundo todo mesmo, fazer as perguntas básicas, do tipo: por quê mesmo estou fazendo isso? E o que vai acontecer se eu fizer? Quais os resultados? Posso fazer de outra maneira? Devo fazer outra coisa? 

A quem atinjo se faço isso? Para onde estou indo fazendo isso? 

Estas perguntas servem tanto para organizações, pensando em sua gestão ou mercados, como para nós, seres humanos enquanto humanos, tendo por perspectiva nossas vidas pessoais. E tenho uma pergunta, que talvez seja uma das fundamentais: em que momento isso aconteceu, de deixarmos de fazer essas perguntas? Claro que foi um processo, mas o momento pode ter vários anos. Pode incluir até mesmo uma fase. 

Mas, muito importante: existem inúmeras situações em que a síntese da síntese é essencial. Sem a qual não podemos avançar e tomar determinadas iniciativas. No caso da comunicação e marketing, é bastante comum nos depararmos com situações assim: resumindo, o que preciso dizer? Qual a mensagem que preciso passar, a principal? E em poucos segundos, claro. Fui mais além na coluna de hoje, tentando colocar o fenômeno sob perspectiva. 

Então, o desafio segue existindo e sendo grande: fazer a síntese da síntese. Para muitas coisas ela é possível e desejável, necessária. Para outras, o entendimento requer contexto, ambiente, descrição, storytelling. Porque você está se perguntando a essa altura: “mas qual a síntese da síntese dessa coluna?” A resposta está nas três primeiras frases deste último parágrafo. Em caso de dúvida, releia a coluna e aproveite.

Autor

Flavio Paiva

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