Antigamente, cheiro de festa era cheiro de cigarro. Lembro do tempo em que quando se saía e ia a um bar ou restaurante e a roupa voltava totalmente imprestável, cheirando mais a cigarro do que o próprio cigarro. As coisas mudaram muito e agora até mesmo o fumódromo não é mais permitido, nem os restaurantes o tem mais.
Porém, restou uma pequena praga da vida moderna: ao chegar a um restaurante ou a um shopping center, na entrada, é quase impossível não passar por alguns fumantes. Logo na entrada, como uma espécie de comitê de boas vindas ao inverso, passa-se por uma cortina de fumaça. Do ponto de vista de imagem, considero péssimo para o shopping ou restaurante. Vejamos: o cidadão que está entrando no estabelecimento é “recebido” pelo cheiro forte do cigarro, bem como pela fumaça. Além do cheiro, que é desagradável para quem não fuma, além da fumaça, idem, sinto pena daquelas pessoas que têm que se sujeitar a uma situação e a uma posição extremamente incômodas para atender ao seu vício.
Do ponto de vista dos estabelecimentos comerciais, considero um descuido com todos: comigo, que sou cliente e não fumante; com os fumantes, que ficam sujeitos às intempéries e que tal dizer com crianças e pessoas idosas que tenham bronquite? Descuido total. Sempre – e é bastante comum de acontecer, se o amigo leitor notar – que passo por uma situação destas, considero que o estabelecimento está dando não um, mas vários tiros no pé em termos de sua imagem. Não cuida do seu público, não está se importando com ele.
Alguns me perguntarão o que fazer, então. Não respondo de bate-pronto, pois não sou nem de empresa fumageira, nem administrador de shopping center, nem de restaurante. Mas quando há interesse genuíno encontram-se alternativas.
O problema em nosso país é que as soluções são sempre encontradas às pressas. E desta forma, não são soluções. São tapa-furos, são improvisos que não resolvem toda a extensão do problema. E das duas uma: ou se faz este tipo de solução improvisada ou se cria uma “comissão-para-analisar-o-problema” e passam-se meses, muitas vezes anos sem que haja resposta e uma solução planejada. Sejamos realistas: quando há vontade real em resolver o problema, encontra-se a solução. Por quanto tempo mais teremos que passar por uma cortina de fumaça de cigarro para entrar em um shopping center? Não sabia que isto fazia parte do seu mix de lojas e serviços.

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