Colunas

Sobre colunistas e apresentadores

Já escrevi aqui em outra ocasião que existe certa “escala de nobreza” entre as diversas funções jornalísticas. Embora todas tenham sua importância no processo, …

Já escrevi aqui em outra ocasião que existe certa “escala de nobreza” entre as diversas funções jornalísticas. Embora todas tenham sua importância no processo, essa escala, mesmo que “fictícia”, existe, e as funções de colunista em jornais/revistas e de apresentadores em rádio/televisão sempre foram as mais valorizadas, cobiçadas e respeitadas. Afinal, são as que atraem mais atenção e também exigem, como se diz para quem vai assumir um cargo público de destaque, “conduta/caráter ilibado”. Mas exigem também conhecimento, idoneidade e respeito.

Nessas últimas décadas, o jornalismo mudou muito, em alguns aspectos para melhor, mas, de uma forma geral, para pior. Seja pela pressa do sistema (jornalismo fast food), pela qualificação deficiente, pela facilidade de buscar informações via internet, pela pouca leitura, mas principalmente pela falta de bom senso. Ou pela falta de limites ao bom senso e falta de responsabilidade de quem escreve e fala o quem bem entende e, se alguém o critica, argui com uma palavra mágica: democracia. E no caso do jornalismo, liberdade de imprensa.

Infelizmente, o significado destas duas expressões vem sendo distorcido por muitos famosos colunistas e apresentadores que se acham no direito de deitar e rolar sobre tudo e sobre todos. E invocam outra palavra mágica que socorre os incompetentes e maldosos: interpretação. “Ah, eu acho isso, eu acho aquilo. É a minha interpretação. Eu tenho direito a ter esse posicionamento”. Sempre haverá quem concorde e quem discorde, obviamente, pois o mundo não é feito de iguais.

Precisamos ter o contraditório, a tese e a antítese, sem dúvida. Mas, em qualquer nível de debate é preciso ter bom senso e respeito. Sem isso, por mais qualificado academicamente que seja um profissional, ele perderá a razão. Para tudo há um limite, até mesmo para quem simpatize, por exemplo, com o Estado Islâmico.

Já acompanhei a carreira de colunistas e apresentadores “muito espertos”, que criaram ambientes fictícios, provocarem polêmicas para se projetar, Afinal, eram profissionais comuns, mas sabiam que iriam ganhar os holofotes porque centravam o foco justamente no oposto, na crítica a um personagem famoso ou a um tema importante. Não por crença, mas por interesse próprio.

Infelizmente há muitos colunistas e apresentadores oportunistas por aí, que ganham a confiança de um patrão CSC (cego, surdo, conivente) que, a despeito de dizer que o profissional tem autonomia, liberdade de se manifestar, que não é censurado, permitem que vomitem um monte de bobagens para alegrar o circo. Escrevo a coluna sem saber se o Marcos Piangers continuará como colunista de Zero Hora depois da coluna que desagradou milhões de leitores porque foi desrespeitosa com os gaúchos ao esculhambar as praias locais. Imagino a reação dos donos de várias construtoras que investem milhões para “dourar” nosso Litoral e anunciam nos veículos da RBS, com esta contra-propaganda!

Por uma ofensa de menor repercussão, mais de cunho pessoal, mesmo sendo os integrantes mais famosos, a RBS demitiu o jornalista Kenny Braga da Rádio Gaúcha e do Diário Gaúcho e suspendeu Paulo Santana.

O Piangers diz que não imaginou que suas impressões teriam tal repercussão. Ora, santa ingenuidade! Pois deveria imaginar. Um colunista/apresentador deve pensar na repercussão de cada vírgula que escrever, de cada palavra que pronunciar, porque depois de feito, “Inês  é morta” e será difícil, muito difícil reverter o quadro.

Em qualquer atividade profissional é preciso ter seriedade, conhecimento e dedicação, mas, sobretudo, respeito aos demais. E para isso é preciso saber quais os limites do bom senso, da sensibilidade e da responsabilidade. Quer escrever ou falar o que lhe der na telha? Faça, a democracia permite e a liberdade de imprensa o protege, MAS AGUENTE AS CONSEQUÊNCIAS DOS SEUS ATOS.

Autor

Julio Sortica

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