Acredito que já tinha escrito aqui em textos anteriores que não gosto de release. Acho chato, cansativo, repetitivo e perda de tempo. Para o meu jeito de fazer comunicação, não é uma opção. Um post da jornalista Giane Guerra no Facebook nesta semana criou um “furdunço” com alguns colegas, dividindo opiniões e vendo “chifre em cabeça de cavalo” ao dizer que ela era contra assessores de imprensa. O post diz apenas: Não gosto de release #prontofalei.
Cada uma de um lado do balcão, com a mesma opinião. Não é à toa que nos damos tão bem. Eu comentei: – “Tem quem goste, como tudo na vida. Acho que uma cocriação, um bom papo e uma troca de ideias funciona muito melhor. O bastantão? Deixa para quem ainda defende esses textos prontos e iguais para todos”. Deixando claro que é a minha opinião pessoal apenas.
Não há certo ou errado, mas sim jeitos diferentes de enviar e receber sugestões de pauta. São escolhas. Exponho aqui alguns comentários para que possamos refletir sobre a questão e também sobre a necessidade de interpretação de texto antes de emitir uma opinião. “Se não fosse o release muita gente ia penar para fechar coluna diariamente”, “E como as centenas de veículos do interior fariam cobertura sem release?”, “Eu adorava escrever releases, mas as pautas que mais renderam foram as que tive o prazer de conversar contigo por telefone”. Mas a que mais me chamou a atenção foi quase um ataque: “É uma ferramenta muito importante. Ajuda no bom jornalismo. Engraçado é que a colunista odeia release, odeia assessor de imprensa, odeia quem quer fazer a sua função. Acho que viram semi-deuses”. Gente, sair atacando assim só mostra o quanto precisamos evoluir primeiro como pessoa, depois como profissional.
Já pararam para pensar a quantidade de textos que os jornalistas devem receber diariamente? O que deve ser a caixa de email deles? As conversas não lidas de WhatsApp? Eu costumo sempre perguntar antes o que o colega prefere. Tem os que peçam um áudio, outros que preferem tópicos já na largada para ter ideia do conteúdo e aqueles que dizem o que ficar melhor pra mim. Não é um toma lá da cá, eu te mando e tu lê, eu imponho e tu replica. A conversa já começa em outro tom e o restante do caminho é construído em harmonia. Um pouquinho de empatia é o que todo mundo precisa. Mas dá mais trabalho contatar um veículo por vez, conversar com quem ainda não é próximo (digo nas aproximações, principalmente com veículos no interior), se apresentar e “vender” a pauta. Redigir um único texto e enviar em cópia oculta é mais rápido e dá menos trabalho, não é mesmo? De novo, são opções. Eu escolhi pelo jornalismo de relacionamento, de construção e de exclusividade.


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