Mesmo que estejamos tentando nos movimentar dentro de uma nova realidade ocasionada pela Covid-19, existem coisas que definitivamente estão no modo stand by. Claro, em todas as possíveis (como home office, virtualidade em geral, novas rotinas para conversas, sejam elas profissionais ou não, webinars, lives, entre tantas outras coisas), já estamos nos adaptando ou mesmo posso dizer que já nos adaptamos.
Existem outras, porém, que ficaram no modo stand by, paradas no ar à espera de seu retorno. Se haverá efetivamente ou não o retorno, não sabemos. Pessoalmente, acredito que sim. Porque temos, por exemplo, quase o mundo todo pesquisando vacina e outros medicamentos que se não evitem, atenuem em muito os efeitos da Covid-19. Assim, claro que a vacina para ser massificada levará ao menos alguns meses depois de descoberta. Entretanto, apesar de desejarmos que seja o famoso “pra ontem”, precisamos assumir que leva um pouco de tempo. São meses, acredito eu. Mas para quem anda contando os dias, talvez pareça muito tempo.
Vou dar um exemplo de coisas em stand by. Uma delas, abraçar os amigos. Por melhor que estejamos nos saindo virtualmente, fazendo até happy hours e comemorações de aniversários, mesmo festas on line, infelizmente está muito longe de ser a mesma coisa. Vamos ser sinceros? Não chega nem perto.
Porque sou totalmente favorável à tecnologia e acho que ela é quase inacreditável. Mas há algumas necessidades humanas, como a troca pessoal, que não conseguem ser supridas na mesma intensidade por melhor que seja a plataforma, equipamento e conexão utilizados.
Muita gente já me falou da falta que faz sair pra jantar, ir para um boteco tomar uma cerveja, encontrar as pessoas para um papo totalmente à toa. Dar risada e filosofar, encontrar as alternativas para os problemas do mundo, é claro.
Estamos exercitando uma grande capacidade de resiliência, a verdade é essa. Há os que têm mais, como os materiais (que originam o termo resiliência), mas há os que têm menos. Conseguir atravessar essa fase ou mesmo adaptar-se a uma nova fase requer recursos que eventualmente poderiam estar guardados ou pouco utilizados. Ou ainda que talvez fossem desconhecidos para a própria pessoa. Já os que têm menos estão buscando apoio profissional, em amigos, família ou mesmo medicamentos.
Uma outra coisa que está totalmente em stand by é ir a um parque, nesta época tomar um chimarrão e encontrar pessoas. Mas especialmente fazer isso sem a preocupação tão grande e até uma certa dose de patrulhamento que determinados grupos estão exercendo. Ou seja, sair sem compromisso nem (essa) preocupação por aí. Poder andar e encontrar quem se quiser e quem a vida nos fizer encontrar.
Porém, ao contrário do que possa parecer, não falo destas coisas em stand by de uma forma pessimista ou depressiva. De forma alguma. Em especial porque vejo sim, luz no meio do túnel, como li em algum lugar. Vejo muita, mas muita pesquisa, engajamento global e então, entendo que essas (e tantas outras coisas) estão de fato em stand by. Não ficaram para trás. Há as que ficaram? Sim, há. Mas me refiro a essas, as que não ficaram para trás. Estão ali, nos aguardando, como uma roupa de Inverno nos espera enquanto passa a Primavera, para poder quando o Inverno chegar nos aquecer de novo.

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