Em tempos de redes sociais, o negócio é compartilhar, curtir e postar. Por aí. Mas o pessoal parece não estar dando muita atenção para o que é que a gente realmente deve compartilhar. Ou curtir, ou postar.
Compartilhe-se doravante principalmente os sentimentos bons. Que a internet não seja mais usada como arma de covardes, de retrógrados e egoístas. Ou de (tantos) ignorantes. Que ela sirva não como um espelho (não param as fotos de si mesmos), mas como uma perspectiva. Onde estou, para onde quero ir? Mas pelo amor de Deus, que não sejam dois posts: onde estou e para onde quero ir. Não! A lógica da coisa é pensar no caminho a trilhar, nos movimentos (vida bem além dos cliques) que são precisos, no trabalho e nas conexões, as verdadeiras.
Porque estar conectado pode ser perigoso. Não como o é hoje, conexão pela conexão. Conexão para o entretenimento. Mas se a conexão for troca, aprofundada e inteligente, as coisas podem mudar. O mundo mesmo pode mudar, não há dúvida. Aprendemos uns com os outros. Aprendemos com a História, com o pensamento e descobertas humanas. Aprendemos com os erros, tão conhecidos nossos e de todos que por aqui estão.
Que curtamos não repetir os mesmos erros da história da humanidade. Porque sim, ela se repete um tanto grande assim. Mudam os atores (ou não), mas as cenas se repetem. Ao longo de décadas, séculos e milênios. Porque muda sem mudar, entende? Não importa se a adoração agora é na frente da tela. Ela é uma forma – a adoração – emprestada de atribuir a alguém a possibilidade das glórias. Mas claro, dos fracassos também. O ser humano não gosta de – de um modo geral – expor-se a riscos. Então, ele delega esta possibilidade a terceiros, juntamente com a possibilidade da derrota. O que o ser humano não vê é que a glória, o fracasso e o cotidiano são seus companheiros. Na gênese, foram adesivadas à alma do homem, tornando-se inseparáveis.
Que tal iniciar pelo compartilhamento de um projeto consistente, justo e poderoso de humanidade? Que as ideias – e não as fotos/selfies – ocupem todos os bytes, sejam gigas, megas, ou teras possíveis. Que a lucidez ocupe todos os discos rígidos e flexíveis, os internos e externos, os gratuitos e os pagos. Que a consciência seja compartilha. Curtida e postada. Ampliada e expandida. Passem-se todos os antivírus para encontrar e destruir a estupidez.

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