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Tempo de janela

Para quem é da minha geração (sou de 1966), as modificações ocorridas no segmento de marketing esportivo são impressionantes. Como eu digo sempre, envelhecer …

Para quem é da minha geração (sou de 1966), as modificações ocorridas no segmento de marketing esportivo são impressionantes. Como eu digo sempre, envelhecer não pode ter só o incômodo de trazer algumas rugas e cabelos brancos e um pouco (ou muito, depende do cidadão) de barriga. Tempo de janela conta sempre. Em especial, em um segmento que mudou tanto como o do marketing esportivo, em tão pouco tempo.

Lembro bem que a minha turma do Colégio Anchieta se organizava para jogar o futebolzinho sagrado. À noite, a gente jogava com refletores, a grama era muito rala (ao contrário do que é hoje, passo por lá e fico admirando aquele gramado muito bonito), muito areião. Mas nos sentíamos (eu, inclusive, um precário zagueiro) grandes craques, com refletores acesos, a bola rolando. Estamos falando aí do final da década de 70, início da década de 80. O grande líder em material esportivo era o Ughini. Ir até lá era uma alegria, pois, além de encontrar material esportivo que não encontrávamos em outros lugares, a gente ia pedir para fazer o fardamento da turma. Eles tinham alguns modelos pré-concebidos e se a gente deixasse constar a marca Ughini na camiseta, tinha um superdesconto. Outro grande precursor dos esportes foi o Jorge Andrade, com sua loja no final (ou início, próximo à entrada do túnel da Conceição) da Av. Osvaldo Aranha, lembram?

As chuteiras eram pesadas, duras. O material estava muito longe de ser dry-fit. A gente morria de calor com aquelas camisetas. Meiões viravam pesos de uma tonelada durante o jogo. Pois é, crianças, quanta diferença.

Hoje, o material esportivo (seja de futebol ou de outras modalidades) está ao alcance da mão, com novidades quase que diárias. O torcedor ou praticante de esporte amador pode usar o mesmo item que o seu ídolo, o atleta do time de coração. Os fabricantes, como Nike, Adidas, Puma, Reebok, Loto, Olympikus, Diadora, despejam as novidades em ritmo frenético. E os atletas (sejam eles de final de semana ou não) compram. E muito.

Ocorre que, com o desenvolvimento da tecnologia do material esportivo, naturalmente estes itens encareceram. Não tem nada de extraordinário em uma chuteira custar R$ 1.500,00, por exemplo. E encareceram porque tem muita tecnologia incluída em uma camiseta, chuteira ou tênis. Os fabricantes se puxam nos setores de P&D, para dar aos atletas profissionais o máximo rendimento. Pesquisa custa dinheiro, não tem jeito. E o torcedor quer usar exatamente o mesmo item do seu ídolo, não quer sucedâneo.

Mas, voltando aos gloriosos tempos da década de 80. A gente não tinha ainda um ambiente de marketing esportivo desenvolvido. Era tudo muito acanhado. Não havia bebidas isotônicas, não havia anunciantes interessados em nossos jogos no Anchieta (ao contrário de hoje, que eles entendem que estar junto desta gurizada é investir na formação do consumidor do futuro). Não sou saudosista neste caso, acho que tinha coisas boas e ruins. Coisas que são melhores e coisas que são piores hoje.

O caso dos uniformes era emblemático. Pesados e quentes (mas era o que a tecnologia oferecia à época). Lembro ainda de quando nossa turma precisou de uniforme para a Semana Anchietana e quem providenciou foi o nosso colega Zuco. Um uniforme de camisetas cor de laranja, tipo a Holanda, novinho em folha. Bah, ficamos muito felizes com aquilo. Depois, muito depois, é que ficamos sabendo que o pai do Zuco era nada mais nada menos do que o Sérgio Saraiva, presidente da Ipiranga, o que, certamente, ajudava-o a pagar nossas camisetas. Felizmente, vivíamos um tempo em que isso não era importante. O Zuco era um bom meio de campo, não importando filho de quem era. Mas que aquelas camisetas laranjas foram muito bem-vindas, isto foram.

As chuteiras e os tênis eram duros e pesados. Talvez se eu tivesse vivido na época de hoje, teria me revelado um grande jogador, não o precário zagueiro que fui. Aí está a explicação, meus ex-colegas. Vocês acharam que eu era perna-de-pau, quando, na verdade, eu era um craque mal-aparelhado.

Dica de comer bem

Recentemente, estive em um almoço de negócios no Vermelho Grill. Na realidade, já conhecia a excelente carne e acompanhamentos (o purê de mandioquinha é uma tentação). Porém, foi a primeira vez que provei o combinado Festival do Assador. São servidos, juntamente com acompanhamentos igualmente tentadores, o assado de tiras, o bife de chorizo e o Master Lamb de cordeiro. É, como diz o nome, o Festival do Assador. O Vermelho Grill fica na Av. Veríssimo do Amaral esquina Av. Nilo Peçanha. Para facilitar: desça a Nilo Peçanha em direção ao Shopping Iguatemi, passe o shopping, deixando-o para trás à esquerda, siga pela Nilo e, em seguida, você vai poder ver na esquina o Vermelho Grill. Excelente ambiente, estacionamento com manobrista e a costumeira cordialidade da família Fornari.

Autor

Flavio Paiva

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