Um dos melhores vídeos que já vi é do prof. Clovis de Barros Filho, sobre o desenvolvimento do pensamento e da capacidade de pensar, intelectiva. Ele usa como exemplo, como provocação, que os alunos leiam 3 páginas de Kant (no caso de Fundamento da Metafísica dos Costumes). O vídeo é absolutamente imperdível e está aqui
O que está por trás dele é a ideia de brio, de ter vontade de ir além, ser curioso, de transcender as fronteiras que até então existem no pensamento de cada pessoa. Muita gente quando se depara com pensadores como Kant, especialmente diante de um título como esse, se assusta. E pensa: “não, isso nunca vou entender, não é pra mim”.
E é justamente aí que entra o principal motivo dessa coluna e o link com a realidade empresarial e até de startups. Um conceito de nome tão antigo como brio tem tudo a ver com o que tanto se fala hoje, de propósito, de inovação, de criação de empresas. É o desafio que faz brilhar boa parte dos olhos de empreendedores. E o desafio tem por trás o que? O brio, o orgulho, a crença de achar que se alguém pode fazer melhor em algum momento, pode descobrir algo, pode inovar em alguma coisa, tendo às vezes impacto em escala mundial, por que não posso ser eu? Aí existe brio: um orgulho de vir a ser capaz de entender, de fazer. De atingir o sucesso, seja o que isso signifique para aquela pessoa.
Então, essa coluna serve exatamente para mostrar que grandes ideias e grandes desafios, com pessoas cheias de brio (ok, algumas com uma certa dose de maluquice junto) foram surgindo ao longo da história da humanidade por pessoas que não aceitaram que outros soubessem fazer, que pudessem pensar e elas não.
Existiram e existem até situações limite em que a pessoa vende seu patrimônio e investe no projeto ou ideia em questão. De tanto que acreditam na sua ideia ou projeto. Algumas tiveram sucesso, muitas fracassaram, como é normal. Agora, vamos entrar um pouco mais no que seja fracassar. Se fracassar for exclusivamente se obteve lucro em grande escala, é uma coisa.
Mas meu conceito de não obter lucro pode trazer grudado um grande aprendizado. Óbvio que não estou dizendo que o bom é fracassar. Mas quando beijar a lona, que se aprenda. Primeiro, a ser mais humilde, entender seus limites naquele momento. E depois, que observe o processo e as circunstâncias que levaram ao “fracass” e analise, reflita e terá um valioso aprendizado, às vezes maior do que se tivessem tido sucesso.
Então encerrando, sempre é preciso ter brio, propósito, decisão e atitude. Pode dar o nome que quiser, um mais antigo, outro mais atual, mais inovador. Mas em essência, seres humanos que se diferenciam na humanidade (aqui não falo somente em negócios) são aqueles que têm brio. Tenha brio! E comece pelas três primeiras páginas de Fundamento da Metafísica dos Costumes, de Kant. Depois, me conta como foi.


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