Nos dias que ainda tenho em casa, no home office, vivo fazendo reflexões dos ganhos e perdas que tal mudança trouxe e ainda traz. Sei que não sou a única que mudou conceitos, que descobriu novas formas de fazer tanta coisa e que fez desse limão uma limonada daquelas especiais. A vida antes da pandemia era quase automática. – Acorda, faz café, deixa o filho no turno integral e chega no trabalho. Pausa para o almoço e segue o baile até a hora de buscar o guri no colégio de novo. Por vezes, rolava uma “troca de plantão” do pai pra mãe, quando o outro era o buscador da vez no colégio. Chega em casa, ajeita o que dá, faz janta, organiza o banho e os temas e põe o despertador pro dia seguinte. Exercício, se der tempo. Era assim, eu lembro bem. Eu não via o sol bater na janela da minha sala, não tinha lado preferido no sofá e fazia poucas refeições com a minha família à mesa. Fomos, na maioria, criados assim. A vida adulta era quase um sinônimo de acorda – trabalha – dorme. Quer saber? Aí vem o lado cheio do copo de tudo isso que passamos e que ainda está presente nas nossas vidas, proporcionado pela pandemia.
Eu aprendi a valorizar mais o cérebro, tô falando sério! Digo de entrega, de objetividade, de foco e concentração. Mais presença mental do que física. Muita gente conseguiu otimizar as horas do seu dia, que durante anos pareciam tão poucas. Viramos mais donos de nossas agendas, alinhadas com as de quem trabalhamos. Descobri que consigo ter uma produtividade entre 18h e 20h que não tinha em uma tarde inteira dentro de uma sala fechada. Estar a postos é verdadeiramente o que importa. De onde estiver, estar sempre à disposição. E tá tudo certo, fazer comunicação é isso. Eu fiz reuniões muito mais produtivas com fone no ouvido, celular na mão e meu filho no colo vendo um desenho. Eu criei textos mais inspiradores da beira da praia. Eu fiz uma série de contatos por whatsapp que seriam reuniões se não estivéssemos em pandemia, daquelas que brincamos que poderiam ser uma mensagem. Eu tive muito mais trabalho com todas as tarefas que agreguei durante este tempo em casa, é óbvio. No final, tudo se ajeita e compensa.
O tal do modelo híbrido é o futuro. Da qualidade de vida, da inspiração, da efetividade. Nunca fui adepta a bater cartão-ponto, então sou muito suspeita para defender essa necessária integralidade na comunicação que muitos lugares ainda tem como formato de trabalho. Ficar atrás de um computador olhando para o relógio muitas vezes é o que impede a criatividade de trabalhar. Nossa profissão permite estarmos presentes quando necessário, a tempo e a hora. Isso é comunicar! Também possibilita que possamos viver a vida mais de bem com ela mesma, sem deixar nada a desejar em termos profissionais. Estar ativo na mídia, na imprensa, no relacionamento e na política é o que importa. E quem faz isso, sabe fazer de qualquer lugar.


*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial