Em breve, a forma do cinema será transformada pelo clique de um mouse. Esta é a proposta de um grupo de produtores e cineastas de Hollywood, como informa o New York Times. Estarão on-line todos os filmes modernos como também a escolha, dentro de uma cinemateca, de filmes antigos. Embora, é claro, muitos continuarão a preferir a tela grande.
O espectador será o árbitro final – será capaz de assistir ao que quiser, quando quiser, em horário à sua escolha. Um punhado de sites que oferecem filmes “para baixar”, assim como o vídeo por demanda por meio da TV a cabo ou satélite, poderá vislumbrar o que está para vir.
“Direto para o vídeo” atualmente é sinônimo de baixa qualidade. Mas os custos das cópias para cinema e propaganda tornam mais atraente a opção pela internet, com a exibição custeada pela propaganda, também on-line. Pelo sistema Pay/Play pretende-se que haverá um pequeno custo para os cinematófilos.
LONGA-METRAGEM
Uma coisa que a distribuição on-line poderá realizar é a destruição da tirania do longa-metragem. É quase impossível que um filme com menos de setenta minutos de duração seja exibido comercialmente em cinema, ou um filme de 67 ou 17 minutos receber um bloco na programação da TV. Mas, por demanda, na internet o tempo de duração é mais flexível e pode recompensar os cineastas pela livre exposição de suas idéias.
O número de filmes lançados a cada ano praticamente dobrou desde o início da década, cerca de 600 por ano. Acrescentem-se a isto os filmes que são exibidos em festivais, e o número é incalculável. Inclua os filmes para TV ou DVD, e teremos milhares de filmes competindo pela atenção já sobrecarregada dos espectadores.
SELEÇÃO
Como serão selecionados os filmes para a internet? Tornou-se uma espécie de consenso que a cultura na internet é movida não pelas formas tradicionais de cima para baixo. Na opinião de críticos profissionais ou de estratégias de profissionais de marketing corporativo, esta cultura é formada por redes sociais. Nichos e nichos de pessoas se formam à medida que indivíduos se associam em torno de interesses compartilhados (os blogs). A seleção será feita pelo próprio espectador.
E isto, por sua vez, encoraja o “faça você mesmo sua produção e distribuição”. Como uma banda que, para ser ouvida, precisa de uma gravadora, da mesma forma pode descartar a mediação intrometida (?) de um estúdio. Torna-se possível assistir ao filme na sala de estar com seus amigos, ou simplesmente no laptop.

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