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TV nova com esgoto

Foram duas semanas de imersão no maravilhoso mundo do atendimento à saúde, desta vez não no SUS, mas numa das clínicas que estão se …

Foram duas semanas de imersão no maravilhoso mundo do atendimento à saúde, desta vez não no SUS, mas numa das clínicas que estão se multiplicando com preços módicos e profissionais sem intranet, anotando tudo em fichas, como no tempo do Dr.Guimarães, saudoso médico generalista da minha família inteira. Meu pai, seo Waldemar, aquele que teve uma pilha de AVCs e reúne um razoável acervo de problemas, pois é, ele pegou uma tosse insistente, peito chiando. Consegui convencer minha mãe, dona Luci, aquela que se cura com chá e limão com açúcar a cada gripe, a levar o velho ao médico – não se vacinaram e não querem se vacinar –, já que o medo da gripe do porquinho e de uma pneumonia me bateu forte.

De modo que corremos ao JJ, um serviço médico nota 100, com consultas a 30 reais, exames a preços módicos até naquele em que se deixa as calças em pagamento nas clínicas com calefação e funcionários antipáticos. O local é cruel, na Rua Pinto Bandeira, sem chance para estacionamento (tem de parar o táxi e correr para descer, porque o trânsito ali não perdoa), um edifício velho, charme nenhum. Mas tem gente ali. Importante isso, não?

Das meninas que atendem no balcão ao médico, é impressionante! Gente!

Sim, porque tenho visitado muitos médicos particulares que, se pudessem, me dariam veneno em vez de remédio. E o SUS, bom, o que dizer que ainda não disse? Às vezes, tem uma exceção para confirmar a regra, como aconteceu comigo e meu velho, no setor de coleta de sangue do hospital Santa Clara.

Eu, na correria, não havia pegado a carteira de identidade do pai. Pois a chefe de setor, uma encantadora jovem médica bioquímica, não só nos permitiu fazer o exame como ainda tratou meu pai com um carinho extraordinário ao sabatiná-lo para confirmar seus dados. Como fiz a lição de casa, e encaminhei meu agradecimento à Ouvidoria do Complexo da Santa Casa, agora o faço em público.

Tenho retornado a este tema de doenças, médicos e atendimento várias vezes, e faz tempo. Não estou sendo original, nem pretendo sê-lo. Tampouco tenho prazer sádico em ficar baixando lenha nos profissionais ou nas instituições que cuidam da nossa (falta de) saúde. Mas acho que preocupa cada vez mais ver que o número de pessoas em busca de um bom doutor que as ouça e, de preferência, pense suas feridas e, quem sabe, as cure, está aumentando. Impressão minha? Acho que não, e olha que tenho um tempo razoável de experiência nesta seara!

Outra coisa que venho observando: embora boa parte dos pacientes que buscam clínicas mais “populares” como a JJ seja imenso, o dos postos de atendimento do SUS igualmente está crescendo. Como nossa mídia não anda se ligando muito neste tema, não me atrevo a sugerir como pauta este crescimento simultâneo da quantidade de pacientes no sistema público e nas clínicas de preços módicos. Eu tenho uma explicação made in casa para dar: a linha da pobreza não subiu, como quer fazer crer o marketing dos goebbels aloprados, a ponto de os menos favorecidos migrarem em grande volume para as clínicas modicamente pagas, enquanto os que tinham um bom convênio ou podiam pagar por uma consulta ou exame particular agora precisam apertar o cinto e baixar o tal do padrão.

Daí que fico bem enojada quando vejo o Ministério da Saúde fazer firula porque alcançou as metas de vacinação contra a gripe suína. Além de ser sua mera obrigação, tenho minhas dúvidas quanto ao jeitinho de a turma do Temporão apresentar os números de “sucesso”. Ainda mais em ano eleitoral.

Com nenhum projeto de educação no território da natalidade, em especial junto a quem vive com esgoto a céu aberto, estamos curtindo a prévia do horror de ter milhões de pessoas com muito crédito e televisores de primeira qualidade, contas a pagar a perder de vista. Sem grandes esforços, qualquer um que tenha olhos de ver, enxerga o resultado desta farra do boi do consumo incentivado pelo Planalto: logo ali, boa parte destes consumidores estará no coro dos inadimplentes, doentes e, claro, fornecedores de mais brasileirinhos para atirar nas esquinas fazendo malabarismo com bolas e até engolindo fogo.

Este é o Brasil em que vivemos, com o presidente da República cada vez mais ególatra, dizendo porra em público e cinicamente se desculpando a seguir e ainda se gabando de jogar lata de cerveja pela janela do carro como prêmio para os catadores de lixo. Sem falar nos coleguinhas jornalistas do bunker de Dilma, vergonha da profissão, incluindo a gauchada que deveria se enrolar no poncho de vergonha por estar no meio da velha baixaria dos aloprados petistas de fazer dossiê contra aqueles que temem. Sem falar que Paris nunca será a mesma, ao menos para mim, depois que Dilma foi ao Elysées pagar mico de quase ter de sair pela porta dos fundos, tamanho o desprezo dos franceses por esta ex-guerrilheira que se orgulha de ter sido educada no Sion. Olalá.

Autor

Maristela Bairros

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