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Um banquinho e um violão, pelo amor de Deus!

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Não aguento mais superproduções. Gostaria de uma volta urgente à simplicidade. Ao invés de megasuperextraefeitos especiais, o que está mesmo me sensibilizando é a essência. O máximo, mas o máximo mínimo. Quem aguenta o show mais megaproduzido da Terra?

Claro que estou exagerando e que um show superproduzido é bem legal. O problema é quando um show super produzido é só o que existe. Vários shows, todos iguais. A onda da simplicidade começou com os acústicos, há alguns anos, quando em especial a MTV reunia artistas e bandas para gravar no seu auditório os famosos “Acústicos MTV”, que se proliferaram de forma extremamente ampla. E se mantêm até hoje, seguem vendendo. Achei que ali íamos ter uma volta ao essencial, mas não foi bem assim. Veja: não é que eu seja contra os megaespetáculos. Sou contra que só haja eles.

Há uma tendência e até uma necessidade humanas de se deparar com eventos grandiosos. Isto é intrínseco ao ser humano. Na idade média, foram construídas as igrejas altíssimas, de forma a fazer com que o ser humano se sentisse menor e, de alguma forma, remetendo-o à sua condição de partícula no universo. Também – com o que não concordo – procurou fazer Deus ficar como alguém muito grande, majestoso, distante. Cá entre nós, só consigo entender a noção de Deus como alguém próximo, jamais distante.

Mas voltemos ao banquinho e violão, me parece estar ocorrendo algo semelhante ao que foi o fenômeno da bossa nova, que buscou a simplicidade. Mesmo entre músicos que fazem muito barulho, como meu irmão, que é baterista, deve-se procurar a simplicidade. Ele (meu irmão) me chamou a atenção algumas vezes que na bateria há, sim, uma veia de energia, quando cabem solos realizados com a maior velocidade e barulho possíveis. Porém, há também uma tendência ao essencial e simplicidade, quando se bate no instrumento e hora certos.

Talvez este meu pedido, do banquinho e do violão, seja, neste momento da vida e do dia-a-dia, um pedido de socorro. Como somos soterrados de informação diariamente, seja por email, Internet, rádio, jornal, TV, celular, etc, um verdadeiro tsunami editorial, dá uma vontade maluca de estar sozinho e quieto numa praia, ouvindo só o barulho do vento e das ondas quebrando na praia. Como diria o Tim Maia, “O que eu quero/Sossego!”

Autor

Flavio Paiva

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