Com esta tragédia da cidade de Santa Maria, o resultado é uma avalanche de mais do mesmo. A imprensa se esbalda em histórias tristes, explorando de forma sádica o desalento de pais, amigos e familiares dos jovens que morreram. Além disto, a mídia eletrônica faz de forma incansável(a mim cansa e muito!) reportagens sobre a necessidade da fiscalização, de que há milhares de casas noturnas operando de forma semelhante-e irregular. Políticos oportunistas apressam-se em pegar a alça do caixão e explorar este horror. E também fazem promessas e lançam iniciativas de ampliar a fiscalização. Bla. Bla. Bla.
Uma chatice, tudo isto. Não estou falando da morte destes jovens, óbvio. Isto é pra lá de trágico. A chatice está na repetição da repetição da repetição deste circo. Cada vez que acontecem certos fatos, parece que é apertado um botão e é disparado este processo de repetição da repetição. Tudo acontece novamente: a mídia se comporta da mesma forma, explorando a dor dos infelizes atingidos, políticos prometem, prometem, prometem. E a população(grande parte dela, não toda é claro) se comporta como o previsto: fica pautadinha pelo assunto e passa a falar nisto. Só nisto e não em outra coisa. Exatamente como massa de manobra que tanto adoram os populistas e outros exploradores do comportamento de manada que a população brasileira adotou de algumas décadas para cá.
Não estou interessado se me chamarão de desumano. Aliás, como diria o político aquele, estou me lixando para a opinião publica. Quem me conhece sabe de que barro sou feito e qual o meu grau de humanidade. Estou é cansado deste comportamento da nossa sociedade. Muito cansado.
Lembro que na minha infância um dos presentes mais aguardados era um brinquedo: um Fusca, movido a muitas pilhas. Ele era da polícia, tocava uma sirene e era bate-e-volta, ou seja, batia em uma parede, fazia uma curva(dando uma pequena marcha-a-ré e novamente entrava em marcha. Batia em outra parede, fazia outra curva e assim ia. Pois é desta forma que estou vendo a nossa sociedade, com uma grande diferença: sequer ela bate em paredes diferentes. Bate sempre na mesma parede e volta, bate de novo e volta, bate de novo e volta. A repetição de comportamentos sem pensamento se tornou a grande marca do cidadão brasileiro. Uma sensação de que nossa sociedade foi abduzida e/ou lobotomizada.
Eu gostaria de uma notícia nova e relevante: a de que um número considerável de pessoas deixou sua parcela de autômato de lado e resolveu agir. Tirou a bunda da cadeira, saiu das redes sociais, da frente da televisão e tomou as rédeas das suas vidas. Porque esta movimentação toda que está acontecendo em prol das vítimas de Santa Maria se esvai em poucos dias. Me cobrem em uma semana. Todos se comovem, comentam, choram, protestam(comodamente nas redes sociais) e logo(mas logo mesmo, em poucos dias!) isto vai virar arquivo. E elas seguirão suas vidas de autômatas. E isto é tão cansativo e repetitivo. Será que não se pode ver isto? Em uma semana, as pessoas voltarão para suas vidas egocêntricas e lobotomizadas. Até surgir ou “ser surgido” um novo fato, quando elas, pautadinhas, começarão todo o processo de novo. Uma notícia nova, pelo amor de Deus!

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