Existem muitas coisas na vida que não entendemos. Algumas, depois de mais velhos, passamos a entender. Outras, morremos na ignorância. Uma das mais prosaicas é a razão pela qual as editoras não enviam livros para colunistas de jornais, sites ou revistas, quando solicitados. Sei que muitos dirão que elas enviam. E o fazem. Mas calma: não enlouqueci. Me refiro a colunistas menos conhecidos(provavelmente meu caso) ou de veículos menos conhecidos. Aí, é incrível. Não enviam ou enviam depois de uma longa insistência, quase contendo ameaças de morte.
Não consigo entender porque apesar de saber que as editoras reservam um estoque para divulgação, em especial no lançamento dos livros, penso o seguinte: se é um colunista que está solicitando um exemplar(sempre é um exemplar, a ideia não é fazer venda do livro), oferecendo como contrapartida a divulgação em sua coluna, é porque este colunista realmente quer aquele livro. Se ele se mobilizou para procurar a pessoa de contato e enviar um email, muitas vezes insistir na solicitação, é porque ele dá muito valor àquele livro. E em sendo assim e partindo da premissa que as pessoas devem ser consideradas sérias até que provem contrário, não dá pra entender o não envio. Ou, o que é pior, a total falta de retorno ao email. E a total falta de retorno vem justamente de um departamento de comunicação que, em princípio, deveria se…comunicar! Há ainda um agravante de que a solicitação feita é para ser atendida em produto, ou seja, na moeda da editora. Não é solicitado recurso financeiro, mas produto, que normalmente encontra-se em estoque e parado.
Desta postura tiro duas conclusões: 1) a editora está estourando de tanto vender e acredita que assim será para o resto dos tempos, prescindindo de qualquer ação de divulgação neste milênio e no próximo; 2) a editora considera-se sabedora de todas as verdades no campo da comunicação, da divulgação, do relacionamento e da construção de imagem. A máxima de que um cliente(no caso, o colunista que solicitou algo junto à editora) insatisfeito fala para 10 pessoas(no mínimo!) é a pura verdade.
Porém, felizmente há sempre ele(o porém), há exceções. Como os amigos da L&PM, editora de gaúcha de grande valor. Fiz a solicitação de dois livros no mesmo formato. Solicitei UM exemplar de cada livro oferecendo a contrapartida e a parceria foi prontamente aceita. Ganhamos todos. No caso da L&PM, entendo que há um entendimento de que se um colunista solicita um(ou no caso dois) livro é porque ele realmente tem interesse nesta obra. E que, mesmo que ele não fizesse a divulgação diretamente em sua coluna, ele com certeza absoluta comentaria sobre a obra com seus leitores, com seu círculo de relacionamento, ampliando a possibilidade de conhecimento e de compra da obra por parte daqueles que eventualmente não a conheçam. Golaço da L&PM.
Os dois livros:
Conforme combinado, seguem os dois livros solicitados(e recebidos prontamente!):
Sonetos para amar o amor, de Luis de Camões.

Naturalmente o título dispensa maiores explicações acerca do conteúdo, mas há que se dizer que a sensibilidade e o talento de Luis de Camões estavam em um momento único. Para os que amam, amaram ou amarão. Obra indispensável.
Compêndio da Psicanálise, Sigmund Freud.

O autor também dispensa apresentações e o que há de mais interessante neste livro, além da lavra do próprio e genial Freud é que ele reúne a síntese final de vários de seus conceitos, perseguidos ao longo da vida, tais como a estrutura(em seu modelo final concebido por ele) do aparelho psíquico, os princípios do prazer e da realidade, dentre vários outros. Apesar de o título poder dar a ideia de que só iniciados e pessoas da área se interessariam pelo livro, nada disto. Ele é acessível e de leitura fácil, além de naturalmente interessantíssimo.
Visitas e aquisição desta e de muitas, mas muitas outras obras em: www.lpm.com.br.

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