O Pentágono está decidido a considerar as invasões dos hackers como atos de guerra. E, como tal, devem ter represálias à altura, ou seja, guerra, bem como aos governos que os abrigam. No caso, a dificuldade em atacar os que são apontados, China e Rússia. Mas isto não esmorece o Pentágono, disposto a transformar em lei suas reivindicações e pleitear US$ 800 milhões para equipar-se com dispositivos capazes de detectar sem erro a origem dos ataques, como informa o New York Times.
As regras que regulam as guerras tradicionais resultam de uma série de tratados internacionais e da Convenção de Genebra, não cobrindo a guerra cibernética. Diz o New York Times: “James Lewis, especialista em segurança do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais, que assessorou o governo Barak Obama, disse que os diretores do Pentágono estão identificando que tipo de ataque cibernético constituiria um uso da força. Muitos militares acreditam que o gatilho para a retaliação deveria ser a quantidade de danos reais ou tentados pelo ataque”.
OTAN ESTUDA
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) também está na mesma linha do Pentágono, segundo o Sunday Times. Uma equipe de peritos da Otan, liderados por Madeleine Albrigt afirmou, em relatório, “que um ataque cibernético contra a infra-estrutura crítica de um país da Otan poderia equivaler a um ataque armado, justificando a retaliação”. E mais: “Um ataque em grande escala sobre comando da Otan e dos sistemas de controle ou de redes de energia poderia levar a medidas de defesa coletiva ao abrigo do artigo 5”, disseram os especialistas.
O artigo 5 é a pedra angular da Carta da Otan de 1949, e estabelece que “um ataque armado” contra um ou mais países da organização “deve ser considerado um ataque contra todos”. A organização está agora dedicada a analisar a gravidade do ataque para justificar a retaliação, e que força militar poderia ser usada e quais alvos seriam atacados. Seus advogados dizem que, porque o efeito de um ataque cibernético pode ser semelhante a um assalto à mão armada, não há necessidade de reformular tratados.
EXÉRCITO BRASILEIRO
Alinhado à sua tradição pacifista, o Brasil não pretende lançar ataques neste campo, mas começa a investir pesado na defesa de seu espaço cibernético. No segundo semestre do ano, as Forças Armadas inauguram o primeiro Centro de Defesa Cibernética (CDCiber), que reunirá cerca de 100 oficiais do Exército em um prédio nos arredores de Brasília. Não foram divulgadas cifras.
O Centro vem sendo preparado há cerca de um ano e terá como objetivo integrar as defesas cibernéticas do Exército, Marinha e Aeronáutica. Será equipado com simuladores para exercício da guerra cibernética, laboratórios para análise de artefatos na rede e centro de tratamento de incidentes.

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