O direito de manter as fontes em sigilo sempre foi das mais caras prerrogativas do repórter. A relação de confiança mútua capaz de levar a grandes reportagens, para o bem do leitor e do eleitor, teve em Watergate o caso mais emblemático. Quanto maior o número de Gargantas Profundas, maiores as possibilidades de trazer à tona fatos que de outra forma permaneceriam nos porões da baixa política ou da maldade humana. Incontáveis casos de corrupção ou mesmo assassinato foram desvendados graças à certeza das fontes de fazer justiça sem correr riscos. Se algumas vezes tal proteção é utilizada para o mal, é um preço que vale a pena pagar. Revogar o sigilo da fonte por causa disso equivaleria a cancelar os telefones dos serviços de emergência devido aos trotes.
A liberdade de imprensa é quesito básico da democracia, e o sigilo da fonte item essencial no arsenal dos profissionais. Por isso a poucos até hoje ocorrera dar um tiro no próprio pé e pedir o fim do sigilo. Mas o caso Waldomiro tem o poder de alterar parâmetros. O observatoriodaimprensa.com.br promove enquete sobre o tema. “A imprensa deve preservar a fonte que denunciou Waldomiro Diniz?” – indaga o prestigiado site. Como supostamente a imensa maioria dos internautas que navegam por ali são do meio, causa apreensão constatar que 52% votaram não (até as 19h40min da segunda-feira 8).
Muita coisa tem mudado no comportamento da mídia militante — o que não é o caso do Observatório, veículo isento e de alta qualificação, que apenas poderia ter se dispensado de questionar o sigilo da fonte justamente neste caso. Para muitos jornalistas, CPI já não faz bem para o País. Tampouco velhos oligarcas devem ser condenados ao desprezo histórico. Quem pede a observância de preceitos fundamentais do partido tem mesmo de ser punido, e assim por diante.
Seja quem for que denunciou o caso, se um distinto cidadão indignado com a roubalheira ou um integrante do bando insatisfeito com a partilha do butim, os fatos continuarão existindo. E quem pede a apuração desses fatos é acusado de ameaçar a governabilidade. Ouvimos isso por ocasião do golpe de 1964. Ouvimos isso quando da emissão do AI-5. Ouvimos isso quando adiaram as eleições diretas. Ouvimos isso de um Fernando Collor tentando salvar a pele. Só não esperávamos ouvir isso do Partido dos Trabalhadores.
O debate sobre o sigilo da fonte nem deveria existir, muito menos neste momento e menos ainda promovido pelos próprios jornalistas. Se para combater a corrupção em seus gabinetes o governo mandou fechar os bingos, é bem possível que para evitar o surgimento de novos casos determine a punição da fonte. E com a ajuda da mídia.
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Zaida Jarros deixa grandes exemplos, não apenas por trabalhar no Jornal do Comércio desde que foi fundado pelo marido, em 1933, ou por dar expediente até poucos dias antes da morte, aos 90 anos, mas por lutar contra todo tipo de dificuldade e manter o veículo vivo, informando e gerando empregos num mercado tão complicado.
Décio Freitas também partiu, aos 82 anos, deixando um legado jornalístico e histórico de referência. Presente na imprensa dos anos 1940, no Diário de Notícias, aos dias de hoje, como colaborador de Zero Hora, Décio produziu ainda uma considerável série de livros que ajudam a contar a história do Brasil.
Eliziário Goulart Rocha é jornalista e escritor, autor dos romances Silêncio no Bordel de Tia Chininha e Dona Deusa e seus arredores escandalosos e da ficção juvenil Elyakan e a Desordem dos Sete Mundos. É Diretor de Redação da revista Forbes Brasil e escreve semanalmente neste site.

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