Colunas

Viver com medo

“Sexo frágil

Não foge à luta

E nem só de cama vive a mulher”

RIta Lee

Durante muito tempo o Dia Internacional da Mulher virou quase um ritual automático. Chegam as flores, as mensagens bonitas, os posts cheios de adjetivos sobre a força feminina. Tudo isso parece correto, educado, até necessário. Mas talvez estejamos perdendo o sentido real dessa data.

O que vimos nas últimas semanas torna impossível tratar o 8 de março apenas como um dia de homenagem. No Rio Grande do Sul, por exemplo, já são cerca de 20 feminicídios apenas nos primeiros meses do ano. Vinte mulheres assassinadas. Vinte histórias interrompidas por homens que decidiram que tinham algum tipo de poder sobre suas vidas.

Como se não bastasse, o país assistiu estarrecido ao caso brutal ocorrido no Rio de Janeiro, em que uma menina de 17 anos foi vítima de estupro coletivo por um grupo que, segundo relatos, já vinha aterrorizando outras jovens há bastante tempo. Um episódio que escancara uma realidade que muitas vezes preferimos não enxergar.

Ao mesmo tempo, cresce nas redes sociais um ambiente cada vez mais tóxico. Grupos que se organizam em torno de ideologias misóginas, como os chamados Red Pill e Incel, ampliam discursos de ódio contra mulheres e ajudam a normalizar comportamentos que deveriam ser combatidos com firmeza.

Diante desse cenário, talvez seja hora de reconhecer que o Dia da Mulher não pode ser uma data de celebração. Ele precisa voltar a ser, sobretudo, um dia de reflexão, de mobilização e de luta.

E aqui entra um ponto que diz respeito diretamente a nós, homens. O silêncio masculino diante da violência contra mulheres ainda é enorme. Ontem, nas redes sociais, vi muitos homens enviando flores virtuais, escrevendo textos sobre admiração e respeito. Vi muito pouco posicionamento claro contra a violência que as mulheres enfrentam todos os dias.

Admiração é importante. Respeito é fundamental. Mas, num momento como este, talvez não sejam suficientes.

Porque, enquanto a gente distribui parabéns, muitas mulheres seguem vivendo com medo.

O verdadeiro sentido do Dia da Mulher nunca foi apenas celebrar. Sempre foi lutar para que um dia a celebração faça sentido de verdade. Hoje, mais do que nunca, essa luta continua necessária.

Autor

Fernando Puhlmann

Sócio-cofundador da Cuentos y Circo, Puhlmann é um dos principais especialistas em YouTube do país, com um olhar focado em possibilidades de faturamento na plataforma e uma larga experiência em relacionamento com grandes marcas do mercado de entretenimento. Além de diretor de Novos Negócios da CyC, tem também no seu currículo vários canais no país, entre eles o do escritor Augusto Cury, do Gov Eduardo Leite, Natália Beauty e do Grêmio FBPA, sempre atuando como responsável pela estratégia de crescimento orgânico dos canais. Já realizou palestras sobre a nova Comunicação juntamente com diretores do YouTube Brasil como a abertura do 28º SET Universitário da Famecos-PUCRS, o YouPIX/SP e o Workshop YouTube Gaming Porto Alegre. Desde 2013, Puhlmann ministra cursos, seminários e oficinas sobre YouTube, tendo mentorado mais de 30 canais nos últimos anos.
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