Colunas

Vou verificar e te dou retorno

Esta é uma das frases que mais determina o sucesso ou insucesso nos negócios. Se ela for cumprida, ou seja, se a pessoa der …

Esta é uma das frases que mais determina o sucesso ou insucesso nos negócios. Se ela for cumprida, ou seja, se a pessoa der retorno à outra, há alguma chance de o negócio acontecer. Caso contrário (e como ocorre na maioria das vezes), é a falta de retorno quem determina o fracasso de uma iniciativa.

Num mundo em que podemos acessar as pessoas a qualquer instante, seja via celular, email, telefone, pager, chega a ser engraçado que a falta de retorno seja tão representativa. Tenho certeza de que muitos se identificarão ao lerem esta coluna. Pensarão: “É, tem muita gente assim. O (a) fulano (a) ficou de me ligar de volta, mas até agora…”. E lá se foi mais um negócio.

A tal falta de retorno é resultado de duas coisas: falta de educação e excesso de atribuições.

Com relação à falta de educação, pouco a fazer. A certa altura da vida, ou se é ou não se é educado. Muito pouco provável que se consiga reeducar um adulto neste quesito. Porém, a falta de educação fere um dos mais importantes predicados do marketing pessoal. Sua imagem fica arranhada para sempre.

Com relação ao excesso de atribuições, há o que fazer. As pessoas acabam não dando os referidos retornos porque estão tão atribuladas que não conseguem um segundo para atender aquilo que não seja absolutamente e totalmente urgente.

Só que esta é uma visão de curto prazo. Porque se deixarmos para atender só o que é urgente, não teremos visão estratégica. “Dar o retorno”, no caso, pode representar uma pausa para parar, pensar e olhar para o futuro, não atendendo somente aquilo que bate à porta hoje, apagando o incêndio.

Significa plantar aquela árvore para um dia sentar à sua sombra. Fazer a faculdade, para um dia pegar o diploma. Começar a fazer um curso de chinês, porque a China é a nova namoradinha do mundo e, em alguns anos, falar chinês vai ser um diferencial. Sei lá, coisas deste tipo.

Nos negócios, deixar de atender aquele sujeito que ligou pode representar jogar fora a oportunidade de sua empresa iniciar uma nova fase de crescimento, pois ele tinha uma idéia, uma proposta ou um invento revolucionários. O que ele precisava era de retorno e alguns minutos para ouvi-lo. E quem tem alguns minutos para ouvi-lo?

Mas, aqui para nós, outro motivo igualmente relevante que leva as pessoas a atenderem somente o urgente é que pensar incomoda. Li um livro, alguns anos atrás, cujo título era “A Coragem de Criar”. Não lembro muito do livro. Mas ele falava que a criatividade era um ato subversivo. Na verdade, há uma corrente de pensamento que diz, hoje, que pensar é transgredir (há inclusive um livro novo da Lya Luft com este título, se não estou enganado). Pensar, criar, refletir incomoda. Muitas vezes incomoda a gente, pois temos que analisar aspectos nossos (ou de nossa empresa) e é sempre mais fácil pensarmos que estamos fazendo a coisa certa, seja na esfera pessoal ou profissional. E incomoda aos outros, que não têm tempo para pensar. “O que faz este sujeito aí, pensando, ao invés de estar somente fazendo, como nós?”.

Invista (e não perca) trinta segundos pensando no que você leu aí em cima. Não seja “curto-prazista”, já passando para o artigo seguinte. Invista no longo prazo, no seu planejamento estratégico pessoal. Pare e pense. E vá em frente.

[email protected]

Autor

Flavio Paiva

Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.