O ministro de Sei Lá, Mil Coisas, virou de vez o ministro de Tudo com a reforma da semana passada. Quando Olívio Dutra era prefeito de Porto Alegre e Tarso Genro o vice, circulava a piada que a prefeitura era a casa da sogra, porque quem mandava era o Genro. Fica agora a impressão que o Luiz se elegeu, mas quem manda é o Zé. Ao disputar a Presidência, oferecerá ao eleitor o irrefutável apelo da experiência no cargo. O velho “quem fez, fará” chega à esquerda. Eliminemos os intermediários.
O episódio Luiz Eduardo Greenhalgh — que teria torturado o acusado da morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, de acordo com declarações do suspeito à Folha de S.Paulo — pode ter sido apenas sacanagem do preso ou leviandade do jornal, ou ambos, mas serviu para fazer o Xerife da Esplanada mostrar a face autoritária. Na sessão de desagravo ao deputado, Zé Dirceu pediu ao Congresso providências para “conter a imprensa e o Ministério Público”.
Proferida por autoridade federal, ainda mais pelo Megaministro, a sentença não pode passar despercebida. “Conter a imprensa e o Ministério Público” só pode significar conter a imprensa e o Ministério Público, a menos que ele tenha se referido apenas a conter a imprensa e o Ministério Público, sabe como é? Em outras épocas tal frase provocaria reboliço na esquerda e pânico nas redações. Hoje, tende a ser aplaudida na reunião de pauta.
Ungido titular da mãe de todas as chefias, Zé Dirceu virou oficialmente o segundo em comando, embora, desconfia-se, possa ser o primeiro. Muitas das pessoas que não votaram no PT, ou votaram com medo, como diria a Regina Duarte, baseavam-se no temor de não saber quem de fato governaria, qual corrente do PT prevaleceria em Brasília. Pelo menos agora já sabem.

No último sábado, no cruzamento da Ipiranga com a Avenida São João, show do baiano Caetano Veloso em homenagem aos 450 anos de São Paulo. Compondo o cenário (mas não mostrado pela TV), o prédio da Credicard envelopado com foto da gaúcha Gisele Bündchen. Só mesmo em São Paulo, a mais universal das cidades brasileiras.
A partir desta semana, a coluna passa a exibir novo formato. A seção Portrait aí ao lado será sempre desvinculada do texto principal, mesmo que, em função da diagramação, acabem se encaixando visualmente. Comecemos com o que podemos chamar de “Série Beijos”. Nenhum motivo especial. Beijo é bom, eu gosto, enfim.
Abaixo, o Dito Pelo Não Dito, com frases que podem ter ou não a ver com o texto de abertura.
Finalmente, a seção Cinco Arrobas, versão internética das cinco estrelas utilizadas em cotações, na qual, a pedido do Vieirinha, meu editor na Coletiva, indicarei um site entre os tantos que costumo freqüentar de maneira mais ou menos assídua.
DITO PELO NÃO DITO
“Cada acerto do governo Lula é prova que a oposição do PT atrasou o País.”
Mario de Almeida
CINCO ARROBAS

Trata-se, sobretudo, de um site de opinião, alimentado por textos de muitos dos maiores articulistas do País. Tem alguns “plus a mais”, como o humor de Tutty Vasquez, ensaios de grandes fotógrafos ou reportagens assinadas por grifes do jornalismo. Com o perdão do trocadilho, no mínimo vale a pena conferir.
* Eliziário Goulart Rocha é jornalista e escritor, autor dos romances Silêncio no Bordel de Tia Chininha e Dona Deusa e seus arredores escandalosos e da ficção juvenil Elyakan e a Desordem dos Sete Mundos. É editor da revista Forbes Brasil e escreve semanalmente neste site.

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