Em nota conjunta, a Associação dos Cronistas Esportivos do Rio Grande do Sul (Aceg), a Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio Grande do Sul (Arfoc), a Associação Riograndense de Imprensa (ARI) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) manifestaram repúdio aos ataques sofridos por profissionais da imprensa na final da Copa FGF – Troféu Ruy Carlos Ostermann. Parte da torcida do Brasil de Pelotas invadiu o gramado após a conclusão da partida contra o Aimoré, que terminou com a vitória do clube pelotense por dois a zero no estádio Bento Freitas.
No comunicado, as entidades descrevem o ambiente como de “extrema insegurança”, com agressões também contra a diretoria e os atletas do Aimoré. A saída de profissionais da imprensa, jogadores e dirigentes do clube foi dificultada e só ocorreu 30 minutos depois, com escolta da tropa de choque da Brigada Militar. Aceg, Arfoc, ARI e Sindjors ainda cobraram uma “postura rigorosa” das autoridades competentes em relação ao ocorrido, principalmente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), realizadora do torneio, cuja atuação foi considerada “insuficiente”.
“Ânimos exaltados”
Em conversa com a reportagem de Coletiva.net, Nícolas Wagner, repórter na rádio Índio Capilé, identificada com o Aimoré, relatou que a segurança parecia não estar preparada. “Em alguns dos portões simplesmente liberaram que a torcida descesse as escadas e fosse para o gramado”, contou. Segundo o jornalista, o zagueiro Micael – também capitão do time – levou um chute nas costas de um dos invasores. “A imprensa identificada com o Aimoré ficou acuada perto do banco de reservas e ficamos ali até a Brigada Militar fazer a operação para que a delegação do time se deslocasse até o vestiário”, explicou.
Nesse momento, optou por acompanhar os atletas para garantir a própria segurança. “Estando identificado ali, da rádio Capilé, havia esse risco. Os ânimos estavam exaltados”, acrescentou. Inclusive, durante a escolta, o repórter Juliano Piasentin, do Grupo Sinos, teria entrado em uma briga com um torcedor do Brasil de Pelotas após provocações. Embora Nícolas não tenha sofrido nenhuma agressão física, ele relatou muitos objetos sendo arremessados.
“Quando a delegação ia entrar na boca do túnel para o vestiário, um fiscal da Federação tentou me barrar por não ser do time. Me empurraram, tentando tirar da escolta, me jogando para os leões basicamente. Os jogadores do Aimoré compraram a briga por mim e me ajudaram a entrar”, afirmou. Para deixar o local, recebeu a sugestão de um dos fiscais da FGF de retirar a camisa da rádio para não ser identificado. “Eu ainda estava com o colete da Federação, que escondia a camiseta, então coloquei e fui acompanhado para chegar até a cabine em segurança”, finalizou.
Sem premiação
Além disso, o episódio impediu o prosseguimento do protocolo de premiação. No site da Federação, uma notícia assinada pelo jornalista Luiz Breves informa que a organização lamenta não ter sido possível a realização da premiação. “A diretoria da FGF e Cristiane, filha do Professor Ruy Carlos Ostermann, homenageado da competição, não puderam permanecer no gramado para fazer a entrega das medalhas e realizar o protocolo, em razão da invasão do campo de jogo”, declarou.
A reportagem de Coletiva.net entrou em contato com a Comunicação da FGF para entender o posicionamento da entidade a respeito do episódio e das cobranças feitas pelas entidades. No entanto, não obteve retorno até a publicação da matéria.
Confira a nota das entidades na íntegra:
A Associação Riograndense de Imprensa (ARI), a Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos (ACEG), Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio Grande do Sul (Arfoc) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul vêm a público manifestar seu mais absoluto e enérgico repúdio aos episódios de hostilidade ocorridos ao final da partida da Copa FGF – Troféu Ruy Carlos Ostermann, no estádio Bento Freitas, em Pelotas. Parte da torcida do Grêmio Esportivo Brasil invadiu o gramado e impediu o exercício profissional dos trabalhadores da imprensa do Vale do Sinos.
Da mesma forma, as entidades expressam solidariedade à diretoria e aos atletas do Clube Esportivo Aimoré, que foram alvo de agressões por parte de torcedores logo após o encerramento do confronto.
A postura agressiva e intimidadora dos envolvidos criou um ambiente de extrema insegurança, dificultando inclusive a saída de profissionais de imprensa, atletas e dirigentes do Aimoré, que somente conseguiram se deslocar após mais de 30 minutos, sob escolta da tropa de choque da Brigada Militar.
Ressaltamos o trabalho responsável e decisivo da Brigada, que atuou de forma constante e eficaz para conter o avanço da torcida que ocupava o gramado do Bento Freitas, evitando que a situação se agravasse.
Ao repudiar veementemente os fatos registrados na noite de domingo, as entidades cobram uma postura rigorosa das autoridades competentes e, em especial, da Federação Gaúcha de Futebol, cuja atuação diante dos acontecimentos se mostrou insuficiente. Os incidentes não apenas comprometeram o encerramento da competição, como também inviabilizaram a entrega da premiação de forma adequada, comprometendo a segurança de profissionais e do público presente, pessoas que ali estavam para prestigiar um momento que deveria ser de celebração ao esporte.
A ARI, a ACEG, a Arfoc e o SindJoRS defendem a liberdade de imprensa, o respeito aos profissionais de comunicação e a integridade de todos os envolvidos no espetáculo esportivo. Situações como esta são inaceitáveis e exigem respostas firmes para que não se repitam.

