Cinco perguntas para Angélica Madalosso

A relações-públicas fundou o hub ILoveMyJob

Angélica Madalosso, relações-públicas - Divulgação

1 - Quem é você, de onde vem e o que faz?

Relações Públicas, formada pela PUCRS, também cursei dois anos de administração de empresas na Ufrgs, mas optei por não completar por desafios profissionais na época. Pós-graduada em Planejamento e Gestão de Crise também pela PUCRS. Desde meu primeiro estágio, em 2005, atuei com desafios relacionados à Comunicação Interna e eles seguiram até minha última experiência antes da ILoveMyJob. Tive vivências em agências e no corporativo, mas a dinâmica proporcionada pela vida de fornecedora/parceira em função de interagir com diferentes cenários e segmentos é o que me encanta até hoje. Ao longo de minha carreira, tive a oportunidade de atuar em projetos para grandes marcas, muitas delas referência em gestão de pessoas, alguns exemplos: Kimberly-Clark, Bat, GRU Airport, Gol, JBS, Renner, OLX Group, Estácio. Iniciei na área de atendimento, passei pelo planejamento, arrisquei muitas vezes como redatora e social media. Sou uma pessoa muito proativa e não acredito que profissionais devam se limitar ao que fazem de melhor, principalmente na era em que o trabalho precisa ser cada vez mais colaborativo. Já ocupei posições de gestão e, nos últimos dois anos, tive uma experiência com intraempreendedorismo, que considero a minha ponte para o empreendedorismo, além dos profissionais que tive a oportunidade de interagir e que das mais diversas formas me ajudaram a visualizar e acreditar nesse novo caminho.  

2 - Como surgiu a ideia de criar a ILoveMyJob?

Com certa frequência, enquanto criava e executava projetos de Comunicação Interna e Endomarketing para desafios relacionados à cultura e ao senso de pertencimento, sempre definia alguma estratégia ou ação para que o conteúdo gerado pudesse romper as barreiras da Comunicação Interna. Isso significava impactar os demais públicos por meio da narrativa dos colaboradores. O resultado era sempre positivo e as métricas e satisfação dos clientes ainda mais. Lembro de uma ação que foi realizada, em 2014, para a Gol, enquanto a expressão employer branding não era nada comum no Brasil, chamada: 'Vista o #OrgulhoDeSerGOL'. A empresa lançou seus novos uniformes, eu era atendimento e planejamento da conta na agência onde trabalhava. Criamos essa campanha que estimulava os colaboradores a compartilhar fotos com os novos looks, além de termos realizado, em parceria com uma agência de eventos na época, um grande desfile em que os colaboradores foram os modelos e, com isso, pararam nas capas de grandes portais como Exame, G1, entre outros. 

Há quase 8 anos, eu já estava entregando soluções voltadas para reputação de marca empregadora sem ter um conhecimento concreto em relação ao assunto. Desafios similares foram surgindo e comecei a estudar mais a fundo a área. Meu trabalho de conclusão da pós, em 2017, foi uma análise do impacto da narrativa dos colaboradores da BRF durante a gestão de crise da operação 'carne fraca'. Então, comecei a concretizar melhor as soluções e o impacto dessas ações. Durante a minha licença-maternidade, criei um perfil no Instagram chamado ILoveMyJob, hashtag que sempre usava para compartilhar posts da minha carreira, onde passei a compartilhar conteúdos relacionados à marca empregadora. Na época, o empreendedorismo não passava pela minha cabeça, eu acreditava que poderia realizar isso dentro do meu antigo empregador e, por isso, montei um projeto onde desenhei os produtos que poderiam ser oferecidos aos clientes nesta frente. Acabamos prospectando dois clientes já da casa e a área surgiu. A implementação foi muito positiva, no meio da pandemia, conseguimos crescer contratos e passamos a atender os clientes em outros desafios de marca empregadora. Contudo, em função de crenças e visões diferentes em relação à área de employer branding e à gestão de negócios, no final de dezembro, eu acabei optando por me desligar. 

Eu já tinha tomado a decisão de que se um dia eu me desligasse eu queria ter um tempo para pensar e não queria sair já com um novo desafio. Eu vinha de anos fazendo transições de carreira em que tive menos de um final de semana até para me mudar para São Paulo e, agora, era momento de eu pensar mais estrategicamente na minha carreira. Eu tinha dois caminhos: provavelmente voltar para São Paulo, onde o corporativo tem mais maturidade para contratar profissionais dessa área ou empreender. Achei que demoraria mais para tomar esta decisão, chamei a minha atual sócia para uma conversa sobre carreira, pois ela é especialista na área, e mostrei uma apresentação que tinha feito com a ideia do negócio, mas buscando ouvir mais uma opinião mesmo. Entretanto, na hora, ela se encantou pelo rascunho do projeto e, dias depois, decidimos criar juntas ILoveMyJob. 

3 - Como a parceria entre um relações-públicas e uma administradora pode agregar aos clientes?

Toda sociedade precisa de complementaridade e de propósitos semelhantes. A ILoveMyJob não é uma agência, nem uma consultoria ou empresa convencional. Somos um hub justamente por atuarmos em quatro grandes frentes: conteúdo, capacitações e treinamentos, soluções corporativas e tecnologia. E temos o objetivo de estarmos próximas dos profissionais que querem atuar e aprender mais sobre employer branding e marketing de recrutamento por serem áreas em crescimento e das empresas que precisam implementar e executar ações com esse desafio. Para isto, precisamos ter vivências empresariais, mas também é necessário entender o que os profissionais que estão no mercado almejam e buscam em suas carreiras. Costumamos dizer que um dos grandes diferenciais da ILoveMyJob é justamente uma visão que considera a integralidade: as aspirações profissionais e pessoais precisam andar juntas em uma estratégia de employer branding. A Patrícia vem com essa bagagem dos profissionais - hoje, ela já está no doutorado voltado para Gestão de Pessoas - e eu com uma visão mais corporativa. 

4 - Que aprendizados de suas vivências em Endomarketing, Comunicação Interna e Employer Branding estão sendo aplicados na nova agência?

Como expliquei, as soluções de agência são apenas uma parte do nosso negócio. Na ILoveMyJob acreditamos que a gestão de marca empregadora começa antes mesmo do talento imaginar que possa virar um empregado. Costumo chamá-lo, neste momento, de talento consumidor, até o instante que ele faz uma transição de carreira. Apoiamos desde o diagnóstico de marca empregadora até a criação de uma campanha de retenção de talentos. O nosso primeiro cliente, por exemplo, foi a Ilegra, para quem desenvolvemos uma estratégia de comunicação e capacitação para melhorar a percepção dos colaboradores em relação às oportunidades de carreira. Isto envolveu desde a realização de palestras, workshops como também a criação e execução de peças e instrumentos de comunicação para disseminar os conceitos de carreira e compartilhar histórias de sucesso protagonizadas por profissionais da empresa. Sem dúvida, a Comunicação Interna e o Endomarketing fazem parte das nossas entregas, pois a gestão da comunicação com os colaboradores eficiente é essencial para as empresas que querem atrair, reter e engajar colaboradores. 

5 - Quais são os seus planos para daqui a cinco anos?

Puxa, difícil hein?! Se, há três meses, eu nem imaginava que em março de 2021 eu seria empreendedora (risos)... brincadeira. O que queremos é trabalhar muito para que aquilo que acreditamos possa ser vivenciado por inúmeros profissionais pelo mundo: ter uma segunda tão boa quanto a sexta. Tanto a Patrícia como eu somos apaixonadas pela vida e isso não significa trabalhar pouco, mas sim trabalhar por aquilo que nos move e seguir amando a nossa sexta que é cuidar daqueles que mais amamos e seguir tendo momentos para nossos hobbies. Entre nossas principais entregas previstas, estão uma universidade voltada para gestão de pessoas, com o objetivo de acelerar a valorização do employer branding no Brasil, soluções voltadas para tecnologia com foco em gestão de marca empregadora e recrutamento, e seleção e a expansão internacional, pois sabemos do potencial da área no mercado de fora.

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