
A ascensão de ferramentas de construção de sites e landing pages baseadas em inteligência artificial não está apenas acelerando os fluxos — está alterando o próprio ponto de partida do trabalho no Marketing. Em vez de adaptar estruturas prontas, profissionais passam a descrever intenções e objetivos, delegando à tecnologia a geração de layout, conteúdo e lógica de conversão.
Segundo Moyses Costa, fundador da Ondaweb, a principal ruptura está na lógica de construção. Enquanto plataformas tradicionais de criação de páginas operam a partir de templates, as ferramentas com IA começam pelo que o usuário quer alcançar. “Isso muda o processo: sai o modelo ‘adaptar algo pronto’ e entra o modelo ‘gerar algo sob demanda’”, pontua.
Nesse modelo, diferentes camadas de uma página — como copy, design e estrutura de conversão — tendem a ser integradas no mesmo processo, reduzindo a fragmentação que é mais comum nos métodos tradicionais. Essa mudança técnica se traduz diretamente em impacto operacional.
Autonomia e velocidade
Na prática, o principal ganho apontado por Moyses é a combinação entre agilidade e independência. “Profissionais que antes dependiam de design e desenvolvimento conseguem criar páginas completas sozinhos”, resume.
De acordo com o executivo, isso reduz o tempo de lançamento de campanhas e amplia a capacidade de experimentação. Além disso, ele observa que essa dinâmica afeta especialmente áreas como Marketing, Produto e Negócios, que passam a operar com mais rapidez e flexibilidade.
A possibilidade de criar múltiplas variações de páginas em pouco tempo favorece testes contínuos e ajustes mais responsivos às métricas de performance. No entanto, essa expansão de autonomia não elimina a necessidade de critérios sobre quando utilizar — ou não — essas ferramentas.
Onde a IA funciona e onde ainda não é o ideal
De acordo com o entrevistado, ferramentas baseadas em IA fazem mais sentido em contextos que exigem velocidade e validação rápida, como campanhas com um volume maior de variações e com foco em performance e conversão imediata. Também são adequadas para projetos com menor complexidade técnica.
Por outro lado, há limites claros. Projetos que envolvem integrações complexas — como conexões com Enterprise Resource Planning (ERP), Customer Relationship Management (CRM) ou sistemas legados — ainda demandam desenvolvimento tradicional. O mesmo vale para iniciativas em que a marca exige alto nível de diferenciação ou quando o site desempenha um papel estratégico mais amplo, como portais institucionais ou plataformas digitais.
Padronização não é falha da tecnologia
Ainda assim, um dos pontos críticos mais recorrentes no uso dessas plataformas é a percepção de que elas geram páginas excessivamente parecidas. Contudo, para Moyses, essa limitação se refere mais à forma com que essas plataformas são utilizadas do que à tecnologia em si.
Ele alerta que, como a IA opera a partir de padrões, entradas genéricas tendem a produzir saídas igualmente genéricas. Sem direcionamento estratégico, contexto de marca e refinamento, o resultado dificilmente se diferencia. “Ou seja, o problema não está na ferramenta, mas na ausência de repertório, direcionamento e curadoria humana”, defende.
O risco para UX e o desenvolvimento de maturidade
Outro efeito colateral da democratização dessas ferramentas está na experiência do usuário (UX). Com a redução da barreira técnica, mais profissionais passam a criar páginas — mas nem todos têm domínio sobre UX, jornada ou comportamento do consumidor.
Sobre isso, Moyses aponta que pode gerar uma falsa sensação de conclusão: páginas funcionais são interpretadas como páginas eficazes, mesmo sem validação consistente de experiência. Ao mesmo tempo, ele reconhece um potencial positivo nesse cenário.
A facilidade de testar e iterar pode, ao longo do tempo, contribuir para o desenvolvimento de senso crítico, desde que acompanhada de análise estruturada e aprendizado contínuo. “Isso pode elevar o nível médio ao longo do tempo, desde que exista uma camada de análise”, diz.
No equilíbrio entre autonomia e critério, as ferramentas de IA para criação de sites e landing pages estão longe de ser uma solução definitiva, mas funcionam bem como um catalisador de maturidade. Ao acelerar a execução, elas expõem lacunas — de estratégia, de repertório e de entendimento do usuário — que antes ficavam diluídas nos processos tradicionais. O ganho, portanto, não está apenas em fazer mais rápido, mas em evidenciar com mais clareza o que ainda precisa ser construído.
Alavancar essas tecnologias é fundamental para otimizar operações e potencializar o crescimento de negócios a longo prazo. Por isso, o cenário de tecnologia para Marketing conta com um espaço dedicado neste portal. Acompanhe na editoria ColetivaTech.

