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Criação de sindicato dos trabalhadores multimídia é suspensa em meio a disputa entre entidades

Organizações representativas de radialistas e jornalistas entendem que iniciativa pode fragilizar categorias já regulamentadas

Reunião aconteceria na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). - Crédito: Divulgação/Alesp

A assembleia que criaria um sindicato nacional dos trabalhadores multimídia foi suspensa nesta terça-feira, 31, durante reunião prevista na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), após decisão judicial em ação encaminhada pela Federação Nacional dos Radialistas Profissionais (Fenarte) e apoiada por sindicatos de radialistas de 14 estados. As entidades questionam a iniciativa por entenderem que ela pode gerar sobreposição de representação sindical, fragilizar categorias já regulamentadas e abrir espaço para precarização do trabalho na Comunicação. O processo tramita no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região.

Convocada pela Associação Brasileira da Influência Digital (Abrid), a reunião tinha o objetivo de criar o Sindicato Nacional dos Profissionais de Multimídia e Influenciadores Digitais (Simid). Por sua vez, a mobilização contrária contou com apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a suspensão ocorreu no momento em que representantes das duas entidades atuavam para barrar a realização da assembleia.

Para os envolvidos, a proposta de criação do sindicato representa uma reconfiguração indevida da organização sindical existente, ao reunir, sob uma mesma denominação, atividades já contempladas por categorias profissionais reconhecidas.

Além disso, no centro da disputa está a definição de “profissional multimídia”, estabelecida pela Lei nº 15.325/2026 — chamada também de Lei do Multimídia —, sancionada em janeiro deste ano. A legislação caracteriza esse trabalhador como um profissional multifuncional, apto a atuar em diversas etapas da produção de conteúdo: da criação e captação à edição, gestão e distribuição de materiais em diferentes formatos, como texto, áudio, vídeo e plataformas digitais.

Pontos de preocupação

A iniciativa de criar um Sindicato Nacional do Multimídia é vista pela Fenaj como uma ameaça direta à organização sindical atual. Segundo a entidade, a abrangência proposta pode provocar conflitos de base e comprometer a representação de profissionais que já possuem regulamentação específica. “Essa proposta representa um ataque aos direitos dos trabalhadores da Comunicação e à própria estrutura sindical construída historicamente”, afirma Thiago Tanji, presidente do SJSP e segundo vice-presidente da federação.

Nesse sentido, a Fenaj também ingressou com manifestação administrativa junto ao Ministério do Trabalho. A organização aponta que as atividades atribuídas aos profissionais multimídia coincidem com o núcleo do trabalho jornalístico contemporâneo, especialmente nas etapas de produção, edição e difusão de conteúdo em plataformas digitais.

Além disso, para a Fenaj, a palavra ‘multimídia’ não define uma profissão, mas uma característica do exercício de diferentes atividades, o que, na prática, pode ser utilizado para flexibilizar direitos. “O termo ‘multimídia’ não pode ser usado como pretexto para desmontar profissões regulamentadas e retirar direitos históricos dos trabalhadores da Comunicação. O jornalista já é, por natureza, um profissional multimídia. O que está em curso é uma tentativa de precarização do trabalho”, afirma a presidenta da Fenaj, Samira de Castro.

Falta de delimitação

A federação também alerta para o formato da convocação da assembleia, que reuniria diferentes perfis — incluindo trabalhadores, prestadores de serviço e agentes econômicos. Na avaliação da entidade, essa composição contraria a lógica do sistema sindical brasileiro e dificulta a delimitação de uma categoria profissional. Além disso, a Fenaj aponta que propostas como a Lei do Multimídia seguem a mesma linha, ao promover a diluição de funções, flexibilizar direitos e enfraquecer a regulamentação profissional.

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