O Brasil estreia nesta quinta-feira, 24, na Copa do Mundo de Futebol da FIFA 2022. Antes mesmo da Seleção entrar em campo, um time de gaúchos já cobre o megaevento esportivo por veículos nacionais. Ainda trabalhando em São Paulo, mas preparadas para embarcar para o Catar, Bianca Molina e Bibiana Bolson divulgam pelas redes sociais as partidas e os temas paralelos ao acontecimento do outro lado do mundo.
Antes da viagem, as jornalistas conversaram com a reportagem do Coletiva.net sobre a preparação, os desafios e as peculiaridades deste Mundial. A matéria integra a série de gaúchos que cobrem o Mundial por veículos de Comunicação fora do Rio Grande do Sul. Na primeira, que foi ao ar ontem, 22, a entrevista foi com Bárbara Natalia e Marcelo Prata, ambos da Rede Globo no Rio de Janeiro.
Enquanto Bárbara e Marcelo ficam no Rio de Janeiro para atuar na redação e no estúdio da Globo, respectivamente, Bianca Molina e Bibiana Bolson cobrirão in loco as fases finais das disputas. Bianca divulgará o evento pela segunda vez, mas a primeira no país-sede. Em 2018, ela era editora de texto do ‘FOX Sports’ e, desta vez, participa pela Ronaldo TV, canal da Twitch do ex-jogador Ronaldo Fenômeno. Nesta primeira fase a profissional integra o programa ‘Seleção Fenômeno’, de São Paulo, e, a partir das quartas-de-final, diretamente do Catar.
Por ser realizada em um país tão culturalmente diferente do Brasil, Bianca diz que “a principal preparação foi no sentido de entender a cultura local para ter uma ideia do cenário que vou encontrar, das dificuldades, do que pode ser feito ou não, levado ou não”. Essa diferença é também considerada pela jornalista como uma das principais dificuldades deste trabalho, para não deixar que os choques de realidade atrapalhem a cobertura.
Quem também falará sobre o Mundial no ambiente virtual é Bibiana Bolson, que atua pela terceira vez no megavento, a segunda in loco. Se nas últimas edições ela o fez por veículos tradicionais (Sportv e Espn Brasil), esta será a primeira vez que ela realiza pelas redes sociais com projetos financiados junto a marcas parceiras. “É uma cobertura bem diferente, com conteúdos que possibilitam sair do factual e das informações jornalísticas. Podemos ir além. Estou com um videocast com o jornal Lance!, para uma audiência superior a um milhão de assinantes. Essa é, com certeza, a Copa do Mundo dos canais digitais”, defendeu.
Uma Copa diferente
Primeira edição realizada no Oriente Médio, o Mundial de 2022 acontece em um país com uma cultura bem distinta da existente nos países ocidentais, como o Brasil. E esse é um dos aspectos apontados pelas comunicadoras como peculiaridade do evento. Bibiana acredita que essa é uma Copa do Mundo absolutamente diferente de todas. “É um país muito fechado e com questões sociais muito fortes. Não tem como desconectar a cobertura desses aspectos, por isso é preciso uma bagagem histórica maior para podermos contextualizar”.
Nesse sentido, Bianca fala que é preciso “saber respeitar o país que vai receber o Mundial, mesmo que não concordemos com muito do que é pregado por lá. Acho que também tem a ver com: valorizar uma Copa do Mundo, mas sem ignorar os problemas que existem em torno dela”. Outro fator que chama a atenção da jornalista que atua pela Ronaldo TV é a tecnologia, especialmente nos estádios. Entre elas, um sistema de refrigeração inovador para que torcedores e jogadores não sofram com as temperaturas, que mesmo nessa época podem chegar a mais de 30 graus Celsius.
Gaúcha em veículo nacional
Para Bianca, que saiu do Rio Grande do Sul há sete anos, cobrir uma Copa por um veículo de fora do Estado é muito representativo, por isso, ela vibra com cada conquista. “Sair da proximidade da família, dos amigos, da região que conhecemos desde que nascemos, dos lugares nos quais estagiamos, ir conhecer novos gestores, novos sotaques, rotinas de trabalho, tudo isso nos tira bem da zona de conforto, né? E ver que tem valido a pena, que tem tido resultado, é incrível”.
Vibração que é compartilhada por Bibiana, que deixou as terras gaúchas em 2014. Apesar desse afastamento territorial, ela tem orgulho de cultivar a relação com os gaúchos, “que, de alguma forma, sentem-se representados por mim no Jornalismo Esportivo. O mundo está cada vez mais sem fronteiras e a Internet possibilita essa conexão, então mesmo em outros veículos, sempre me senti muito conectada com a audiência do Sul”.

